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Jesus e Benfica: uma história de desamor

O escritor Bruno Vieira Amaral fala das aparentes cenas finais do casamento entre Benfica e Jorge Jesus, onde há qualquer coisa de bergmaniano nos silêncios, nos olhares, nas recriminações subtis, no que as palavras escondem mais do que revelam

Bruno Vieira Amaral

Soccrates Images/Getty

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Ver a dança entre Jesus e o Benfica é como assistir em direto às cenas finais de um casamento. Há aqui qualquer coisa de bergmaniano nos silêncios, nos olhares, nas recriminações subtis, no que as palavras escondem mais do que revelam. Após um divórcio litigioso, cheio de escárnio, ameaças com tribunais e um sentimento geral de fúria magoada, este novo enlace prometia ser a união entre duas partes amadurecidas, que conhecem na perfeição, e aceitam, os defeitos de cada uma, um daqueles casamentos crepusculares e tranquilos já sem as inconsequentes juras de amor eterno.

Porém, um casamento futebolístico entre um treinador e um clube é sempre um negócio com muita gente. Ainda para mais quando aquele que dava a cara pelo clube, o representante que resgatou a noiva, foi apeado da liderança pelas autoridades. A partir daí, qualquer falha do treinador, por mínima e insignificante que seja, dá azo a discussões que se prolongam muito para lá do fim do jogo. Em vez de sinais de rendição, os lenços brancos mostrados com acinte são mensagens de despedida. Melhor, são cartas de despedimento. Não se vê maneira de remendar o que está quebrado.

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