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Espetáculos à chuva, aulas de defesa e recuperações improváveis: os 10 melhores momentos de Lewis Hamilton, no fim de semana da corrida 300

É mais um número histórico para Lewis Hamilton: 300 grandes prémios na Fórmula 1. No dia em que festeja o feito, a Tribuna Expresso olha para trás e recorda 10 das corridas que ficaram marcadas na carreira do piloto

Rita Meireles

Clive Rose

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Conhecendo a determinação com que, com apenas 10 anos, abordou Ron Dennis, na altura chefe de equipa da McLaren, para lhe dizer que queria ser campeão mundial de Fórmula 1 ao serviço da sua equipa, não é difícil duvidar do sucesso que se seguiu. Mas não deixa de ser impressionante.

Sete títulos mundiais, 103 pole positions e, a partir deste domingo, 300 grandes prémios. Começou em 2007, na Austrália, e sim, ao serviço da McLaren. Quando olha para trás, numa espécie de “o primeiro amor nunca se esquece”, o piloto não consegue deixar de destacar essa corrida: "Ver que alcançaste o teu sonho é uma experiência muito, muito surreal. Vai ser sempre a tua primeira, só há uma primeira vez. Só chegar a esse primeiro grande prémio em 2007, a quantidade de noites sem dormir enquanto família, nós não sabíamos se iríamos alcançar o nosso sonho, mas sem nunca desistir. Chegar lá, isso será provavelmente o verdadeiro destaque".

Mas há outros destaques, dentro e fora da pista. Já o dissemos aqui, na luta fora do carro, pela igualdade e direitos humanos, Lewis Hamilton é sempre um dos campeões. Do lado de dentro, já brindou os adeptos com corridas memoráveis. Entre 299, não é fácil escolher apenas 10 como as principais da sua carreira, mas entre autênticas aulas de como conduzir à chuva ou defender a posição, a Tribuna juntou as 10 que merecem ser vistas e revistas.

GP Canadá 2007

Enquanto milhões de portugueses aproveitavam o feriado, Hamilton começava a escrever o seu histórico de vitórias. No dia 10 de junho, na sua sexta corrida, venceu o seu primeiro GP, depois de ter conquistado a primeira pole position. Apesar do safety car ter entrado em pista em quatro momentos da corrida, o jovem piloto não errou e manteve-se seguro até ao fim.

GP Grã-Bretanha 2008

Depois de algumas más corridas, incluindo o famoso incidente a sair do pit lane no Canadá, e uma qualificação em quarto lugar, Hamilton disse aos adeptos para se sentarem, relaxarem e desfrutarem. Não literalmente, mas podia. O piso estava molhado. Mark Webber e Felipe Massa fizeram um pião, David Coulthard e Sebastian Vettel colidiram e abandonaram, Massa voltou a rodar e Heikki Kovalainen também perdeu o controlo do carro. Com Hamilton em primeiro e Kimi Räikkönen em segundo, começou a chover e o segundo seguiu o exemplo dos outros pilotos. A partir daí só houve espaço para o britânico, que com um controlo superior ao de qualquer piloto venceu por mais de um minuto, em casa.

GP Alemanha 2008

Hamilton estava em apuros depois de um erro da parte da McLaren, que obrigou o piloto a um grande esforço para chegar à vitória. O britânico partiu da pole e era líder no momento em que o safety car entrou em pista. Todos os carros foram à box numa altura em que ainda era possível reabastecer. Hamilton não foi chamado. Quando foi, regressou à pista em quinto lugar com 17 voltas para percorrer. Mesmo com essa dificuldade, o britânico tirou o ritmo da cartola, ultrapassou Heikki Kovalainen, Nick Heidfeld, Felipe Massa e Nelson Piquet Jr. e recuperou o primeiro lugar.

GP Alemanha 2011

De novo na Alemanha, no circuito de Nurburgring, nesse ano a luta foi a três: Hamilton, Mark Webber e Fernando Alonso. Depois de garantir um lugar na primeira fila, o britânico caiu para segundo lugar graças a um undercut de Webber. Ao mesmo tempo, Alonso subiu a terceiro e começou a luta das três equipas (McLaren, Red Bull e Ferrari). No segundo pit stop, o piloto da Red Bull tentou fazer o mesmo, mas não resultou e acabou por perder a liderança para o britânico. Alonso não quis ficar de fora e as posições voltaram a trocar, desta vez com o espanhol na frente. A sequência de trocas só terminou no momento em que Lewis ultrapassou o espanhol e seguiu até à vitória.

GP Bahrain 2014

Não que alguma vez tenha sido difícil de perceber, mas se há corrida que deixa clara a rivalidade entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg é esta. Foi também a corrida que demonstrou que o britânico consegue vencer, mesmo quando não é o mais rápido. Rosberg estava na frente do campeonato, conseguiu a pole position e fez a volta mais rápida, mas ficou em segundo lugar, depois de ser ultrapassado pelo colega de equipa na primeira curva. Foi uma corrida em que apenas os dois existiram desde o início e a disputa durou até ao fim, com ambos a atacar e defender apenas um contra o outro, mesmo depois das ordens da Mercedes para que não o fizessem, com Hamilton a defender-se até ao final.

GP Alemanha 2018

Este é mais um exemplo da determinação e persistência do piloto, de novo na Alemanha. Ou como diria Peter Bonnington, o seu engenheiro na Mercedes, o momento “hammer time”. Começou a corrida em 14.º devido a um problema no carro, sendo que Vettel, o rival na luta pelo título, conquistou a pole position. Hamilton nunca tinha conseguido vencer começando a corrida tão atrás na grelha. Mas quando as luzes se apagaram, ninguém o conseguiu parar. E quando a chuva começou a cair, as condições tornaram-se ideais para o piloto. Vettel acabou por ter um acidente, a confusão de mensagens pela rádio levou Hamilton a não parar durante o safety car e ainda houve tempo para uma batalha entre colegas de equipa, com Valtteri Bottas. No final, venceu o britânico.

GP Singapura 2018

O piloto venceu este grande prémio, mas foi a qualificação que ficou para a história. Se a perfeição não existe, então chamemos à volta que colocou Hamilton na pole position a mais completa da sua carreira. Ele percorreu a pista em 1 minuto e 36,015 segundos, mais de três segundos abaixo do tempo da pole de Sebastian Vettel em 2017. O momento acabou por ser decisivo na luta pelo título.

GP Mónaco 2019

Na sequência da morte de Niki Lauda, que teve um papel fundamental na decisão de Lewis de se juntar à Mercedes, a emoção era muita no Mónaco. Desta vez foi um erro estratégico da Mercedes que obrigou Hamilton a defender. Quando um acidente fez entrar o safety car, a equipa deu ao britânico pneus médios, enquanto que a Red Bull e Ferrari optaram pelos duros. Faltavam 64 voltas para o final e Hamilton estava na liderança. Quem ouviu a rádio entre o piloto e a equipa percebeu a clara frustração, mas nada o impediu de defender, gerir os pneus e manter atrás um dos pilotos mais agressivos da grelha: Max Verstappen. "Penso que foi uma das corridas mais difíceis que já tive", disse Hamilton no final.

ANDREJ ISAKOVIC

GP Turquia 2020

Esta corrida não era para ser ganha por Hamilton. Em ano de pandemia, com um calendário atípico, o carro da Mercedes chegou à Turquia em más condições. O britânico era o sexto na grelha e Valtteri Bottas, colega de equipa, o nono. O início da corrida não indicou qualquer melhoria, mesmo depois da primeira ida às boxes, mas quando os pneus intermédios começaram a dar problemas e a maioria dos pilotos trocou, Hamilton permaneceu em pista e o ritmo só aumentou, numa pista altamente escorregadia. Cruzou a bandeira axadrezada com os pneus totalmente desgastados, mas venceu e tornou-se sete vezes campeão do mundo. No mesmo dia em que destruiu o clássico argumento: “Ganha porque o carro é bom”.

Buda Mendes

GP Brasil 2021

Em cada uma das sessões do Grande Prémio do Brasil de 2021, Hamilton entrou com o pé esquerdo, mas saiu com o pé direito. Na qualificação, sexta-feira, uma penalização enviou-o para o fim da grelha da corrida de sprint, no dia seguinte. O contra-ataque foi admirável e no sábado conseguiu terminar em quinto lugar. Até que outra penalização o empurrou para 10.º na grelha da corrida principal. Contra todas as probabilidades, na corrida ultrapassou todos os adversários que lhe apareceram pelo caminho e relançou a luta pelo título mundial.