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O Grand, o Golden e o Serena Slam, conseguiu todos: eis os sete melhores momentos da carreira de Serena Williams

Em 2022 o mundo vai assistir ao final de uma das melhores carreiras da história do ténis. Serena Williams arruma a raquete, mas deixa momentos que com certeza ficarão na memória dos adeptos por muitos anos. A Tribuna Expresso reuniu sete desses momentos

Rita Meireles

Simon M Bruty

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Mãe, criadora, investidora. Depois do ténis, Serena Williams vai ser o que ela quiser, como nos habituou. A norte-americana sempre fez as coisas à sua maneira, e não foi apenas no momento em que surgiu em Roland Garros com um macacão preto, em vez da habitual roupa usada pelas jogadoras. Aconteceu sempre. E foi isso que a tornou uma das maiores atletas que a modalidade já viu.

Venceu o seu primeiro Grand Slam em 1999 e tornou-se imparável nas duas décadas seguintes. Ao longo da sua carreira, Williams passou 319 semanas classificada como a melhor jogadora do mundo pela Women's Tennis Association, incluindo 186 consecutivas, entre fevereiro de 2013 e setembro de 2016. Apenas Steffi Graf (377) e Martina Navratilova (332) passaram mais tempo na liderança do ranking.

Tem 73 torneios conquistados. Na lista dos detentores de mais vitórias ocupa a quinta posição, embora tenha jogado muito menos eventos do que outros jogadores, optando em vez disso por se concentrar nos Grand Slams. Alguns desses torneios marcaram não só a carreira da jogadora, como a história da modalidade. A Tribuna Expresso reuniu sete para recordar o percurso de Serena Williams, que anunciou a despedida do ténis para este ano, porventura após competir no US Open.

1999: O primeiro Grand Slam

Williams conquistou o seu primeiro Grand Slam com apenas 17 anos, no Open dos Estados Unidos, o mesmo país onde começou o seu percurso no ténis, treinada pelo pai Richard e ao lado da irmã Venus. Derrotou a campeã em título, Lindsay Davenport, nas meias-finais, e venceu a então número um do mundo, Martina Hingis, para se tornar a segunda mulher afro-americana (depois de Althea Gibson em 1958) a ganhar um major. Se até aqui o mundo do ténis já tinha consciência do seu talento, a partir daqui ficou claro que Serena tinha chegado para brilhar nos grandes palcos da modalidade.

2001: Contra o racismo

Desde sempre que Serena e Venus falam das suas experiências com o racismo numa modalidade tradicionalmente branca e dos problemas que o pai também teve que enfrentar. Em Indian Wells, 2001, as irmãs tinham encontro marcado nas ‘meias’, mas Venus foi obrigada a abandonar o torneio por lesão. A família foi acusada de manipulação de resultados, Serena foi fortemente vaiada na final contra Kim Clijsters e tanto Richard como Venus disseram que foram abusados racialmente pela multidão.

Já com a vitória no currículo, Williams abraçou o pai nas bancadas. As irmãs boicotaram o evento durante muitos anos, sendo que Serena só voltou em 2015 e Venus um ano mais tarde.

2002: Primeira vez no número 1 do ranking WTA

Três anos depois de Serena ter levado para casa o seu primeiro grande título, derrotou Jennifer Capriati em Roland Garros para garantir um lugar na final contra a sua maior adversária: a sua irmã. Ao vencer o jogo por 7-5, 6-3, não só assinou a sua primeira vitória no Open de França, como também deu o pontapé de saída para a sua primeira vitória no chamado 'Serena Slam'.

Logo a seguir venceu em Londres, de novo contra Venus, sem perder um set durante todo o torneio. A vitória levou-a ao primeiro lugar mundial, onde permaneceria durante as 57 semanas seguintes.

2003: O primeiro ‘Serena Slam’

Em 2002/03, a conquista apelidada de 'Serena Slam' foi concluída. No primeiro ano venceu, pela primeira vez, os torneios de Roland Garros e Wimbledon, antes de ganhar o seu segundo Open dos Estados Unidos. Depois, graças a uma vitória contra a irmã, Williams acrescentou o Open da Austrália e tornou-se apenas a quinta mulher na história a deter simultaneamente os quatro títulos do Grand Slam. Serena tinha apenas 22 anos.

2007: O grande regresso

A vitória de Williams no Open da Austrália de 2007 continua a ser uma das conquistas mais difíceis de alcançar da sua carreira. Pouco tempo depois de defender o título de Wimbledon pela segunda vez consecutiva, em 2003, uma lesão no joelho afastou-a do ténis até ao final do ano. Durante o processo de recuperação, a sua meia-irmã mais velha e antiga assistente pessoal, Yetunde Price, foi baleada na Califórnia e morreu. O que se seguiu para a tenista foi um período de depressão até meados dos anos 2000. O esperado regresso aconteceu no Open da Austrália, em 2007, e Serena não perdeu tempo. Nesse torneio derrotou a rival Maria Sharapova na final. Em seguida venceu o Open dos EUA, em 2008, e o Open da Austrália e Wimbledon, em 2009.

2012: Golden Slam nos Jogos Olímpicos de Londres

Williams já tinha chegado ao primeiro lugar do pódio nos Jogos Olímpicos de Sydney e de Pequim em dupla com a irmã, mas em Londres chegou a glória individual. Ao vencer Maria Sharapova na final, Serena chegou a um novo patamar e completou o 'Golden Slam': venceu os Jogos e os quatro mais prestigiados torneios do circuito. Não contente, a tenista ainda conseguiu voltar a vencer o torneio de duplas, com Venus.

2017: o 23.ª Grand Slam, grávida de oito semanas

Williams descobriu que estava grávida pela primeira vez pouco antes do primeiro Grand Slam do ano. Às oito semanas de gravidez, conquistou o seu oitavo título no Open da Austrália e ultrapassou Steffi Graf na lista das maiores vencedoras da era 'Open', com apenas Margaret Court na sua frente (24). Antes de entrar em licença de maternidade, conseguiu ainda regressar ao topo do ranking mundial. Em setembro, nasceu a filha Alexis Olympia Ohanian Jr..