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A espectadora acusada por Kyrgios de parecer ter tomado “700 bebidas” afinal era fã do australiano e tinha “boas intenções”

Ania Palus, advogada polaca, foi convidada a sair do Centre Court de Wimbledon depois de Nick Kyrgios a acusar de estar a desconcentrá-lo no serviço, durante a final com Novak Djokovic. O árbitro, permanentemente contestado pelo tenista, acedeu e pediu que a adepta fosse retirada das bancadas, mas afinal Palus estaria a apoiar o australiano

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ADRIAN DENNIS/Getty

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Ania Palus, uma advogada polaca e fã de ténis, acusada por Nick Kyrgios de lhe estar a perturbar o serviço, acabou por ser levada do Centre Court por ordem do juiz de cadeira, a pedido do australiano. Palus jura que tinha “boas intenções” e pretendia apenas “dar apoio” ao tenista australiano, que a acusou de parecer ter tomado “700 bebidas”, referindo-se ao seu aparente estado de embriaguez.

Apesar de tudo, 15 minutos mais tarde, depois de uma conversa com os stewards, Ania foi vista novamente na bancada do Centre Court. Em conversa com os repórteres presentes, a polaca admitiu ter consumido álcool, mas apenas dois copos, e ter-se esquecido do chapéu para se proteger do sol.

A adepta, que já tinha dado nas vistas a apoiar Rafael Nadal em Roland Garros, confessou-se admiradora de Kyrgios porque, como ele, sofreu de depressão, diz o jornal inglês “Telegraph”. “Se pensam que uma pessoa dizer: ‘Vai, tu consegues’ é tão perturbador que o faça perder o jogo, como é que podem encontrar um único fã a aplaudi-lo?”, questionou Palus, de 32 anos.

Kyrgios manteve, em Wimbledon, a tradição de se virar contra os juízes e os próprios fãs quando os jogos lhe estão a correr mal. No entanto, na final de domingo, que acabaria perdida para Novak Djokovic, o australiano focou-se especificamente na presença da polaca, particularmente quando era a sua vez de servir.

O tenista é conhecido pela atitude controversa, que garante muito apoio aos seus adversários, onde quer que jogue. Em Wimbledon 2022, o tenista foi multado em 17 mil dólares, 3.000 só na final. No entanto, a presença no jogo decisivo garante-lhe um lucro considerável, sendo que o prémio é de mais de um milhão de dólares. As sanções ter-se-ão devido sobretudo a “linguagem obscena”.

Na conferência de imprensa após a partida, o tenista australiano reconheceu que a presença da Palus não tinha sido a causa da sua derrota, mas acrescentou: “Não preciso de alguém a falar comigo constantemente, ponto sim, ponto não. Sou um grande adepto da diversão…”. Mais tarde, Ania admitiu: “Talvez eu tenha ido demasiado longe, peço desculpa por isso, mas tinha apenas boas intenções”.

  • Apesar do bromance, o sábio Djokovic castigou o caos de Kyrgios na final de Wimbledon
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    Novak Djokovic conquistou pela sétima vez o torneio de Wimbledon, igualando Pete Sampras e William Renshaw, ficando apenas a um triunfo de Roger Federer. O sérvio somou ainda o 21.º major da carreira, encurtando a distância para Rafael Nadal (22), que abandonou o torneio por lesão. Depois do jogo, Djoko confirmou o " bromance" com o adversário e o australiano chamou-lhe "quase deus"