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Taylor Fritz depois de um encontro épico: “A derrota com Nadal dói mais do que qualquer outra na minha carreira. Apetecia-me chorar”

Norte-americano de 24 anos esteve a apenas um set de derrotar Rafael Nadal na relva de Wimbledon, mas mesmo com problemas físicos o espanhol recuperou no final e garantiu mais uma meia-final em Londres. "Nunca me senti assim após uma derrota", confessou Fritz

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Anadolu Agency/Getty

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Taylor Fritz, tenista norte-americano que defrontou Rafa Nadal nos quartos de final de Wimbledon, esteve quase a sair do corte com um sorriso de orelha a orelha. Mas, no desporto, o “quase” raramente satisfaz. “A derrota com Nadal dói mais do que qualquer outra na minha carreira”, admitiu Fritz no final do encontro.

“Foi um jogo duro. Penso que fiz algumas coisas bem e outras menos bem. No fim, ele foi mesmo muito, muito, muito bom”, admitiu Fritz, que prosseguiu: “Nalgumas partes do encontro, senti que talvez precisasse apenas de fazer mais. Deixei muito para ele e ele aproveitou. Foi um grande jogo”. O espanhol venceu no tie break do último set, depois de um encontro em que sofreu problemas físicos e pensou mesmo em desistir.

Antes de deixar o corte, depois de cumprimentar Nadal, o norte-americano de 24 anos aproveitou a celebração do adversário e ficou alguns minutos na sua cadeira. “Estava ali sentado e apetecia-me chorar. Nunca me senti assim após uma derrota. (…) Acho que isso é suficiente para mostrar o quanto esta me magoou mais do que qualquer outra”, desabafou Fritz.

Nem tudo foi mau. O jovem tenista foi um duro adversário para a lenda do ténis mundial. “Olhando para trás, foi bom. Cheguei aos meus primeiros quartos de final [de Wimbledon]. Estou na direção certa. (…) Foi um grande feito, sinto-me mesmo feliz. Eu queria muito este jogo. Por isso, é duro, mas acho que tenho de olhar para o lado positivo”, disse o jogador, após o encontro.

A verdade é que Taylor até já derrotou Rafa Nadal. No início de 2022, o americano venceu o espanhol na final de Indian Wells e ergueu o seu primeiro troféu ATP Masters 1.000. A confiança adquirida nesse confronto deveria ter servido de poção mágica para o reencontro, mas não foi suficiente.

“Em Indian Wells, eu acreditava mesmo que poderia vencer, o mesmo aconteceu hoje. (…) Estes tipos são tão bons nos [Grand] Slams. Mas vencê-los é também, em grande parte, vencer o nome que estás a defrontar, acreditar que podes fazê-lo”, disse Fritz, que acrescentou: “Penso que esse é um grande obstáculo a ultrapassar. É algo que mudou para mim nos últimos tempos, eu acreditar que posso batê-los. Ainda assim, é preciso um esforço enorme para conseguir vencê-los”.

O encontro de quarta-feira não foi duro apenas em termos competitivos. Rafael Nadal teve de sair do corte durante o segundo set, depois de pedir um tempo para assistência médica. O maiorquino parecia estar com problemas abdominais a meio do jogo de quatro horas de 20 minutos. No entanto, após algum suspense, Nadal acabaria por regressar com a habitual resiliência.

“Foi uma tarde longa, contra um grande jogador”, disse Rafa na entrevista ainda no corte. “Todo o mérito para o Taylor, ele tem estado a jogar muito bem durante toda a época. Do meu lado, não foi um jogo fácil, por isso estou muito feliz por chegar às meias-finais. Em geral o corpo está bem. A zona abdominal está menos bem, para ser honesto. Tive de encontrar uma forma diferente de servir, porque, em muitos momentos, eu pensei que talvez não conseguisse terminar o encontro, mas não sei… O corte, a energia…”, deixou ficar Rafael Nadal, explicando o que o levou a dar a volta, depois de ter estado a perder por 2-1 em sets.