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Em águas pouco profundas também dá para nadar

Num encontro entre jogos de Champions, Rúben Amorim geriu e mesmo com várias segundas linhas rapidamente desmontou a estratégia defensiva que o Portimonense trouxe para Alvalade. Vitória por 4-0, num jogo seguro em que o único ponto negativo terá sido a saída de dois centrais por lesão

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Foi atribulado o defeso do Sporting, com saídas à última da hora que aborreceram Rúben Amorim e deitaram boa parte do planeamento do treinador por água abaixo, algo que o próprio já admitiu. É curto o plantel, se olharmos para as quatro competições em que o Sporting terá de jogar, e a gestão terá sempre de ser feita com esperteza.

E ao primeiro desafio de gestão, Amorim venceu.

Venceu não só no sentido resultadista do termo - o 4-0 com que acaba o jogo com o Portimonense diz muito do que aconteceu ao longo dos 90 minutos - mas na forma como montou a equipa com a pouca profundidade que tem disponível. Neto, Ricardo Esgaio, Nuno Santos e Rochinha saltaram para o onze e o desafio, mais do que enquadrar os elementos com menos minutos, seria encarar um jogo sem Pedro Porro, Matheus Reis ou Ugarte.

No fim das contas não houve sofrimento de maior e Amorim terá também de agradecer ao treinador do lado contrário. Há mérito do Sporting nesta vitória, porque é impossível marcar quatro golos e não sofrer nenhum sem mérito, mas o Portimonense já entrou a perder. O porquê de uma equipa que vem de quatro vitórias seguidas, que está em 4.º na I Liga e com mais cinco pontos que o adversário surgir em campo com uma linha de seis a defender é algo difícil de explicar e a prova que a estratégia foi fraca é que bastou um contratempo para ela desmoronar. Aos 7’, numa jogada de insistência após um canto, o Sporting marcou por Trincão, num remate-vólei que ainda tocou em Pedrão. De nada valeu ter mais de meia equipa a blindar a área, frente a um Sporting que já mostra outras rotinas neste ataque móvel, com Trincão e Edwards em clara subida de forma.

Com o golo sofrido, Paulo Sérgio tentou emendar. À meia-hora tirou Gonçalo Costa, que até estava a ser um dos melhores dos algarvios, para colocar Rochez, mais um avançado, e por karma ou uma qualquer lição divina dos santos do futebol, foi hondorenho que surgiu o erro que permitiu ao Sporting ir para o intervalo como queria: com uma vantagem segura, a permitir gerir sem dramas. Foi Trincão novamente, a 5 minutos do fim da 1.ª parte, a selar de primeira um golo que começou no tal erro de Rochez, com o Sporting em dois passes a criar a oportunidade. A assistência foi de Rochinha.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Os 2-0 para o Sporting eram castigo para Paulo Sérgio, mas também confirmavam o jogo seguro do Sporting, a tentar dominar com bola, muito reativo à perda. E isso permitiu a Rúben Amorim descansar no que restou do jogo.

Até porque o Portimonense nunca foi um perigo em Alvalade, mesmo com os diversos sistemas que o treinador foi experimentando. Para o Sporting, o único imponderável foram mesmo as saídas de Gonçalo Inácio e Neto, que terão obrigado Rúben Amorim a lançar Ugarte e Pedro Porro mais cedo do que desejaria.

E já com vários dos melhores em campo, o Sporting foi aumentando a vantagem, primeiro por Pote aos 72’, em mais uma jogada sem rococós: Ugarte passou na diagonal para Porro, o espanhol fez o cruzamento e o cabeceamento fraco do Pedro Gonçalves contou com um toque de Pedrão (mais um) para entrar. O golo que fechou a contagem é um bom exemplo de como o ataque do Sporting está a crescer e a encontrar formas de criar perigo mesmo sem uma referência. Trincão deu para dentro da área, com Pote, com uma receção primorosa seguida de toque de classe, a encontrar Nuno Santos, que fez o 4-0.

Rúben Amorim ainda conseguiu dar minutos interessantes a Sotiris e a Paulinho, com o grego a mostrar bons pormenores no desarme e o avançado, por outro lado, a surgir ainda enferrujado. Mas, em termos gerais, há uma subida de forma notória em elementos essenciais, de Ugarte a Pedro Porro, com Trincão a encontrar-se com o golo nos últimos jogos, uma excelente notícia para o treinador antes de mais uma jornada de Champions. E as segundas linhas também oferecem soluções, mesmo num plantel tão curto. Em águas pouco profundas também dá para nadar.