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Manchester Laces, a equipa de mulheres, trans e pessoas não binárias: “Há jogadoras que dizem que este clube lhes salvou a vida”

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Manchester Laces

Em Manchester, há um clube "amigável e inclusivo" que "desafia o pensamento binário" e quebra "barreiras e normas". Contestando as "regras anacrónicas" sobre participação de pessoas trans ou não binárias no futebol amador, o Laces quer "iniciar um movimento que reconhece que o género é fluido e que o futebol não deveria colocar barreiras a quem quer participar", criando um "ambiente saudável" a quem "tem uma existência marcada pelo medo"

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Quando Jo McDonald nasceu, há 54 anos, o futebol feminino estava proibido em Inglaterra, como consequência de uma decisão tomada em 1921 — momento em que equipas compostas por mulheres chegaram a mobilizar multidões de milhares de espectadores para verem as suas partidas. Na escola onde estudou, havia “recreios separados para rapazes e raparigas”, pelo que elas “não só não podiam jogar futebol, como também nem podiam ver os outros” praticarem-no. “Era algo que nos era escondido”, conta.

Sendo o jogo inacessível ao olhar, se, na altura, alguém dissesse a Jo que um encontro entre mulheres encheria Old Trafford, ela “jamais acreditaria”. Da mesma forma que “nunca imaginaria” que, com 54 anos e muito tempo depois do tempo em que não a deixavam — nem às suas companheiras de geração — entrar em campo, estivesse a jogar futebol semanalmente. Mas é isso que está a acontecer.

A oportunidade foi-lhe dada pelo Manchester Laces, o primeiro clube inclusivo para mulheres, transgénero e pessoas não-binárias na segunda cidade com mais população no Reino Unido. Jo fala com a Tribuna Expresso no Platt Lane Sports Complex, logo a seguir a um treino que fez com o conjunto do qual é capitã, a purple team, uma das várias equipas do clube — um “grupo muito heterogéneo que reúne quem nunca deu um pontapé numa bola antes de se juntar a nós, ou quem só jogou na escola e não o faz há muito tempo, ou simplesmente quem tenha vontade de jogar”, explica-nos.

Filha de um tempo em que o futebol fechava as suas portas a metade da população, Jo nunca foi a Wembley, um dos templos da bola mundial. Fá-lo-á, pela primeira vez, a 31 de julho, para assistir à final do Europeu, na qual estará Inglaterra. “Nasci quando as mulheres não podiam jogar e agora vou estar em Wembley numa final de um grande torneio feminino que tem lotação esgotada há imenso tempo. É algo que me deixa muito emocionada”, confessa com a voz embargada e um entusiasmo que faz com que a bola que agarrava durante a nossa conversa lhe escorregue das mãos.

O Manchester Laces foi criado em março de 2021 com o objetivo de fundar um clube “com um ambiente inclusivo e aberto”, independentemente do “background, religião, orientação sexual ou género”, explica Helen Hardy, fundadora e grande alma do projeto. Ano e meio depois de ter começado, o clube reúne já cerca de “350 pessoas”, conta Helen, “100 membros permanentes, que jogam nas diferentes equipas” que constituem o Laces, e “250 que aparecem de vez em quando, quando podem”.

Um emblema que “não é só sobre os golos que marca ou os troféus que ganha”, garante a fundadora, mas no qual importa “o coletivo e a comunidade”, que é “amável e agradável para toda a gente”. Um “espaço de amor, amizade e bem-estar”, que “desafia o pensamento binário”, quebrando “barreiras e normas”. O Manchester Laces foi eleito clube amador do ano no Reino Unido, em 2022, e também ganhou um prémio denominado “futebol contra a homofobia.

No Manchester Laces há dois treinos por semana. O das segundas-feiras é aberto a toda a gente que apareça, ao passo que o das quintas é só para quem se inscrever no clube. Com uma estrutura amadora e "muitas atividades durante o Euro", conta Helen, não é fácil obter respostas pelos canais indicados nas páginas do clube. Pelo que, para ter contacto com o Laces, o melhor é mesmo ir aos treinos.

O treino de segunda decorre no Whalley Range Sports Centre, um complexo pequeno num subúrbio igual a tantos outros de Manchester. No pequeno jardim do lado oposto dos campos de futebol de cinco, um jovem, sentado na relva com três amigos, pergunta enquanto passamos: "Bro, queres erva, cogumelos, o que for? Temos todo o tipo de drogas!".

A resposta é negativa e, no último dos relvados artificiais, vemos um grupo de jogadoras equipadas que se preparam para jogar. Há uma delas que parece organizar equipas, falando inglês com o inconfundível sotaque espanhol. É Elena, que, ao ver o intruso perto do campo, pergunta se é "o jornalista português". Desculpa-se pela ausência de resposta e, num diálogo que viaja entre as línguas de Shakespeare e Cervantes, pede que "voltemos na quinta" para os treinos, já que "às segundas é sempre mais confuso" pela presença de mais pessoas que não costumam vir regularmente.

Na quinta-feira, a viagem até ao Platt Lane Sports Complex, no sul de Manchester, é diferente. O bairro que antecede os campos de futebol é culturalmente muito diverso, sem a uniformidade de outros subúrbios mancunianos. Há lojas com indicações escritas em vários idiomas, mesquitas, restaurantes de onde chegam ao nariz cheiros diferentes dos pubs do centro.

Por detrás da instalação desportiva há um enorme jardim com uma igreja, crianças a brincarem, cães a passearem e corredores de final de tarde. O Platt Lane Sports Complex é bem diferente do local dos treinos de segunda. É maior, com diversos relvados, carros estacionados e muito movimento. Há um jogo entre duas equipas amadoras a decorrer num campo — com direito a transmissão via YouTube, dizem-nos, em mais uma prova da dimensão que o futebol de grassroots tem por aqui.

A festa de final de temporada 2021/22 do Manchester Laces

A festa de final de temporada 2021/22 do Manchester Laces

Manchester Laces

No relvado mais afastado há já dois encontros a decorrer em meio-campo cada um. Para não entrarmos repentinamente pelo terreno dentro, damos a volta pela vedação exterior. Há uma rapariga de uns 25 anos que, acompanhada por uma pequena cadela, está sentada à beira da linha lateral, ladeada das mochilas de quem se diverte a poucos metros dela.

Num intervalo entre as brincadeiras que humana e animal vão fazendo, perguntamos se este é o treino das Manchester Laces. A rapariga, que hoje não joga porque “não se sente bem”, diz-nos que sim, apontando imediatamente para uma jogadora com camisola toda preta e uns calções do Lyon. “Ela é a Helen”, indica-nos, como se fosse aquela dona de todas as respostas para o que se passa aqui.

E, de certa maneira, é. Helen Hardy fala com o entusiasmo de quem acredita piamente no que diz, encadeia ideias como só quem já as amadureceu faz, consegue misturar um sorriso na face por “fazer o que ama” com um tom combativo porque “há tanto que falta por fazer”. Helen é fundadora, gestora, administrativa e jogadora do Manchester Laces, o coração que bate pelo clube. Tem, também, a Foudys, uma empresa que deve o seu nome à antiga internacional norte-americana Julie Foudy e que vende merchandising de futebol feminino, como tops do Barcelona com o nome de Alexia Putellas ou camisolas dos EUA com quatro estrelas, em homenagem aos quatro Mundiais ganhos, e não zero, porque a equipa masculina não tem nenhum conquistado.

De 32 anos e natural de Newcastle — “o berço de Alan Shearer”, diz, como se fosse uma extensão do nome da cidade —, Hardy cresceu numa “grande terra de futebol, com uma enorme paixão pelo jogo e pelo seu clube”. Helen costumava ir aos jogos dos magpies com o seu pai e “amava”, ganhando “um profundo amor por futebol”. Mas havia um problema: dizia ao seu pai que queria ser jogadora e este respondia que “isso não era possível” porque “não havia nenhum local onde pudesse jogar”, o que Helen considerava “muito injusto”.

Para explicar as dificuldades que as raparigas da sua geração tinham para praticar a modalidade, Helen dá o exemplo de Lucy Bronze, uma das estrelas da seleção inglesa e autora de um golo no triunfo contra a Suécia que colocou as anfitriãs do Europeu na final: “A Lucy Bronze nasceu a norte de mim, em Berwick-upon-Tweed [a cidade mais a norte de Inglaterra], e todos os dias viajava para Sunderland, a sul de Newcastle, para jogar futebol, fazendo uns 120 quilómetros diariamente. A dedicação mostrada pelas jogadoras que agora são de elite foi brutal, o esforço que elas colocaram foi muito maior do que, sei lá, o Jack Grealish ou o Phil Foden, que sempre tiveram o futebol à porta de casa”, compara.

Durante as quase duas horas em que estamos presentes, vemos os treinos entre os dois grupos, cada um ocupando meio-campo, mas também socialização, conversas, risos, momentos cúmplices. Há gritos a pedir um passe ou a incentivar um remate, mas não há discussões nem recriminações quando se erra uma ação. O ambiente parece são, pacífico, tanto que um estranho dá por si quase a temer ir quebrar aquele equilíbrio.

O Manchester Laces é aberto a mulheres, trans e pessoas não-binárias, que são divididas em várias equipas e espaços competitivos. Há dois conjuntos de futebol de 11 que militam na estrutura do futebol amador de Manchester, com “um nível bom”, diz Helen; há três equipas na Flexi League, uma competição de futebol de 9 com horários flexíveis; há várias formação na Alternative Football League, uma liga de futebol de 7 criada pela própria Helen para “adultos que jogam de vez em quando ou estão a começar”; e até há espaço para o Walking Football, em que não é permitido correr.

O Laces foi o primeiro clube para pessoas não binárias em Manchester, “mas já não o único”, indica-nos a sua fundadora, que nomeia o Rain On Me, um clube assim chamado em honra à canção de Lady Gaga. Helen acredita que foi começado “um movimento que reconhece que o género é fluído e que o futebol não deveria colocar barreiras a quem quer participar”.

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A primeira jogadora transgénero que chegou ao clube perguntou a Helen se “era permitido que jogasse”. Helen não entendeu a pergunta, obtendo do outro lado uma referências “às regras…”. A partir daí, a fundadora do clube entendeu que “a existência de muitas destas pessoas é marcada pelo medo, por não se sentirem bem-vindas” e estabeleceu como “grande objetivo” nunca “fechar a porta a uma nova jogadora que chegue”.

Helen explica que, “como o clube se apresenta como inclusivo”, há pessoas “que se aproximam” quando “tinham medo de o fazer noutros lugares”. E desdobra-se em considerações sobre a relação do desporto com transgéneros ou pessoas não binárias.

“A maior parte das modalidades viraram ou viram as costas a essa comunidades e nós não devemos negar isso. Devemos, sim, reconhecer, pedir desculpa e assumir que estamos todos a aprender. Se há cinco anos me perguntassem o que era uma pessoa não binária — e eu sou uma pessoa LGBTQIA+ —, eu não saberia bem como responder. O mundo está a mudar, vamos mudar com ele, aprender e dizer honestamente ‘desculpem por vos termos deixado de fora’. As pessoas têm medo do que não conhecem e é por isso que os responsáveis ainda não fizeram as mudanças que têm de fazer. Se és um homem branco cisgénero, haver alguém que se considere não binário pode ser algo tão distante a ti que não o entendes”.

Helen considera as regras para jogar em ligas femininas “anacrónicas”, colocando, por exemplo, “pessoas não binárias a terem de assinalar que são mulheres”, o que é “ridículo”. Para a fundadora do Laces, devia ser baseado “na integridade”, em “entender que a questão não é que homens queiram vir jogar futebol amador com mulheres”, mas que vai “muito além disso”.

Enquanto vê o treino que decorre sem ela, Helen aponta para as suas pernas e diz: “Estou bem, não parti ossos nem me aleijei. Esta coisa louca de se eu jogar com uma mulher transgénero vou morrer ou algo assim é uma total incompreensão do que é o futebol amador. Isto não sou eu contra o Grealish ou o Kane, e mesmo se fosse não morreria por jogar contra eles”, sublinha convictamente.

Anna (à esquerda da imagem), Helen (ao centro) e Elena (à direita)

Anna (à esquerda da imagem), Helen (ao centro) e Elena (à direita)

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No Manchester Laces há quem tenha feito a transição para homem e para mulher, e também jogadoras não-binárias transgénero. A ausência de algumas participantes porque “as sessões de verão são menos concorridas”, dizem-nos, e a timidez de outras levam a ouvirmos as histórias pela boca eloquente de Helen.

A fundadora no clube diz lutar “muito por igualdade” entre o futebol feminino e o masculino, “não igualdade de pagamentos”, mas sim “de condições”, tais como “infra-estruturas ou equipamentos”. Por isso, Helen não quer que “uma jogadora transgénero tenha de fazer mais papelada que uma cis”, porque “todas devem ter o mesmo esforço”. Assim, tira “o fardo delas” e faz ela próprio esse trabalho.

Por exemplo, paga do seu bolso as 15 libras para transformar uma carta de condução de homem numa de mulher, pois é preciso fazer o upload desse documento para inscrever uma jogadora. Mas sublinha que “não deveria ser assim”, porque “não há motivos para que no futebol amador alguém queira quebrar as regras e ter aqui um homem a jogar connosco”.

Manchester Laces

Além de ser aberto a mulheres, transgéneros e pessoas não-binárias, o Manchester Laces define-se como sendo um clube “amigável”. Anna faz parte da blue squad do clube, uma das duas de futebol de 11. É médica nas urgências de um hospital a 10 minutos do campo de treinos e “uma grande adepta” do Liverpool, com lugar anual em Anfield. Joga futebol desde os 4 anos e é número 10 — ao vê-la em campo comprovamos que é das melhores —, mas pelo meio teve “uma paragem de uns 10 anos”, que terminou depois para recomeçar no Laces.

Anna está no projeto quase desde o início, porque uma amiga foi a uma das primeiras sessões e “adorou o ambiente”. Explica-nos que ser “um clube amigável” assenta “em ser competitivas”, mas “colocar o divertimento como o mais importante”. A médica recorda que quando era criança “havia sempre colegas que nunca tinham minutos nas partidas” o que era “horrível” porque “tens 10 anos, vais a um jogo no norte de Inglaterra, com neve, e ficas a ver”.

“Aqui todas têm uma oportunidade, todas podem jogar e, sobretudo, ninguém se zanga, ninguém está para aí aos gritos, o que também acaba por fazer com que o nível melhore, porque as críticas são construtivas”, ressalva.

O “ambiente” é dos aspetos mais destacados por quem aqui está. Os olhos de Sarah, uma das jogadoras, brilham quando conta que antes tinha de conduzir uma hora e meia para jogar no único clube que deixava que alguém com o seu nível participasse, enquanto agora só tem de fazer uma viagem de 10 minutos.

Jo McDonald queria "fazer alguma atividade ao ar livre" depois do confinamento e, por isso, inscreveu-se no clube. Como capitã de uma das equipas recheada de quem poucos pontapés deu numa bola no passado, Jo conta que "o importante é tirar-lhes o medo, a timidez", dando "um ambiente de aprendizagem coletiva", o que as "faz sentir parte de um grupo".

Helen Hardy cumprimenta uma jogadora durante um encontro

Helen Hardy cumprimenta uma jogadora durante um encontro

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Sentimento de pertença é, justamente, algo reiteradamente dito como sentido por muitas no Laces. Além dos treinos e dos jogos, organizam-se idas a jogos de futebol, saídas à noite para o pub que uma das inscritas detém no centro de Manchester ou até excursões e campismo. Em maio, uma das equipas foi disputar um torneio a Paris. "É muito pelo futebol, mas também pela componente social", indica Anna.

O foco na saúde mental leva a que Helen revele "uma frase chocante" que já lhe foi proferida: "Há jogadoras que dizem que este clube lhes salvou a vida. Irmos todas juntas a uma partida de Inglaterra ou sairmos à noite pode fazer imenso a diferença para quem está sozinha, com problemas, quem acabou de sair de uma relação, quem não se sente bem-vinda noutros lados", explica a fundadora. Jo, que trabalha no mundo do imobiliário, sublinha que "muitas das inscritas" passaram por "muito sofrimento no confinamento", podendo ter "estado muito tempo sem falar com alguém" e, no Laces, são "valorizadas, integradas, apoiadas".

E é neste ponto que Helen, explicando o que é feito no clube que criou, discorre sobre "um erro crasso" que "o futebol feminino tem cometido". Para ela, o jogo praticado por mulheres tem "tentado ser uma cópia do masculino", ao invés de "apostar no que o pode diferenciar".

"Quando entras em muitas equipas femininas, tens a mesma lad culture dos conjuntos masculinos, em que é tudo agressivo, bruto, quase animalesco. Parece que é obrigatório ser rude e ter uma atmosfera tóxica", descreve.

Em sentido oposto, Helen conta que esteve no Portugal - Países Baixos e era "só amor", numa envolvência de "celebração do jogo" e é "nisso que o futebol feminino tem de apostar", fazendo "a sua própria viagem". Nos últimos 20 anos, diz, os "clubes masculinos ingleses foram adicionando equipas femininas", como se fossem um "apêndice das masculinas". O Manchester Laces foi a primeira equipa filiada na Federação de Manchester a ser lançada só como feminina e "as pessoas questionavam onde estava a equipa masculina", lembra Helen, porque "nos habituámos a que, no futebol, os homens viessem primeiro e só depois as mulheres", como que "convidando-as para uma festa que não é bem delas".

Anna é homossexual e faz parte do Liverpool Pride, associação de fãs LGBTQIA+ dos reds. Acha que a "luta contra a homofobia tem melhorado no futebol", ainda que haja "muito que fazer". No Laces, garante, "não há quaisquer limitações nem nenhum 'mas' que seja colocado".

Pelo "ambiente tóxico e pouco agradável" de muitos clubes, houve muitas jogadoras que agora estão no Laces mas que, durante muito tempo, viraram as costas ao futebol, conta Helen. O que a leva a "pensar na quantidade de mulheres ou pessoas de várias comunidades que se perderam para o jogo" devido a não haver portas abertas a toda a gente.

A equipa do Manchester Laces que foi jogar a Paris

A equipa do Manchester Laces que foi jogar a Paris

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O final do treino junta, perto do centro do relvado, os dois grupos que jogavam nas duas metades do campo. Há muita descontração, organizam-se boleias de regresso a casa e combinam-se planos para a sexta seguinte.

Helen, quando fundou o Manchester Laces, esperava ter "15 ou 20 pessoas", mas a grande procura "mostra que Manchester precisava de um clube de futebol aberto a toda a gente". Financeiramente, o projeto tem-se mantido sustentável "só com quotas das participantes", explica, havendo "quem pague duas a três libras por semana e quem não pague nada, por não ter condições para isso". Para a próxima época, já foram garantidos acordos com alguns patrocinadores que "permitirão melhorar alguns aspetos, como material", num "caminho" que tem como objetivo "criar uma estrutura que possa pagar a profissionais", sobretudo "especialistas em saúde mental", algo em que "o Laces se quer focar".

O ambiente no clube é leve, mas não significa que haja homogeneidade, porque Helen "quer refletir uma comunidade que é diversa". E daí surge o "orgulho" em ter "mulheres muçulmanas" que "se calhar nunca contactaram antes com alguém LGBTQIA+" a "trocarem passes com uma homossexual". Algumas dessas jogadoras muçulmanas foram à marcha do orgulho com o Laces e as companheiras "apoiaram-nas" durante o Ramadão.

"Uma união que se calhar só o futebol poderia fazer e que faz com que as pessoas se apercebam que, sendo diferentes, se calhar não há diferenças assim tão grandes. No campo não somos diferentes, trata-se de passar esse espírito cá para fora e mostrar à comunidade que há espaço e benefícios para clubes que, verdadeiramente, possam dar as boas-vindas a toda a gente", explica Helen Hardy.