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Diogo Ribeiro, o competidor nato que é “um pouco como a Rosa Mota ou o Carlos Lopes”, um “caso isolado”, porque “é extraordinário”

Aos 17 anos, Diogo Ribeiro saltou para a ribalta ao conquistar um bronze nos Europeus sénior de natação e brilhar ainda mais nos Mundiais juniores, com três medalhas de ouro, uma delas com recorde mundial. Quem o conhece bem destaca que a grande qualidade do conimbricense “é a cabeça”, que “lida muito bem com o stress das provas”, ele que há um ano teve um grave acidente de mota que lhe colocou a carreira em risco. Mas, apesar do investimento da federação em Alberto Silva, reputado técnico brasileiro, é preciso ter em conta que “infelizmente, o Diogo não é exatamente o reflexo da natação portuguesa como um todo”

Pedro Barata

FINA

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Em setembro de 2016, André Vaz, então um treinador de 23 anos do Clube Náutico Académico de Coimbra, viu, como normal, uma nova formada de jovens entrar para a categoria de infantis que treinava. Entre eles estava Diogo Ribeiro, de 11 anos, que cumpriria 12 no final de outubro, um “miúdo um bocado reguila, muito divertido e alegre”, conta ao telefone o técnico.

O pré-adolescente “tinha marcas boas para a sua idade” e “nadava bem os quatro estilos” da arte de cruzar as águas, mas “havia muitos miúdos a fazer coisas parecidas” a Diogo, que, recorda André Vaz, “nem sequer era o melhor miúdo da idade dele em Coimbra”.

Mas aquele garoto, “muito brincalhão” e com “dias em que não estava tão virado para o treino” tinha uma grande virtude que o seu treinador viria a descobrir. Algo que não estava tão relacionado com a técnica das braçadas ou com um físico mais ou menos esculpido para as águas. André Vaz foi-se apercebendo que o novo pupilo tinha “um espírito competitivo muito forte para a idade que tinha”, revelando “muito gosto” em desafiar-se e provar ser melhor que os demais.

Baseando-se na sua competitividade e em “muita predisposição para aceitar correções técnicas", Diogo ficou “muito bem classificado no nacional de infantis” daquele ano, mas não venceu o título. Duas épocas depois, já como campeão nacional de infantis A, Diogo Ribeiro disputou a sua primeira prova internacional. E aí o técnico que o orientava voltou a ter a demonstração de que a mente daquele jovem nadador era o seu grande argumento.

“Nessa estreia internacional, fez recordes nacionais em todas a provas que nadou, o que é invulgar. Normalmente, nessas idades os miúdos são muito fortes no treino, mas por questões como a ansiedade não conseguem corresponder nas provas. Mas a grande qualidade do Diogo, além de ter muita facilidade para aprender e corrigir, é a cabeça dele. É muito competitivo e lida muito bem com o stress das provas”, explica André Vaz, treinador de Diogo Ribeiro entre 2016 e 2021.

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