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O dia em que Macron influenciou o futuro de Mbappé: “Quero que fiques. Não quero que te vás embora agora. És tão importante para o país”

São vários os fatores que pesam no momento em que um futebolista escolhe qual é o próximo passo a dar na carreira, mas poucas vezes esses fatores passam por receber uma chamada do presidente do seu país. Kylian Mbappé revela o quão influente foi Emmanuel Macron no momento em que decidiu entre o PSG e o Real Madrid durante o verão. Mas o francês não fecha as portas aos merengues para o futuro

Rita Meireles

Aurelien Meunier - PSG/Getty

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“Deve o desporto sentar-se na mesa da política?” é uma das perguntas que mais opiniões tem dividido. Depois de anos de muita discussão, eis que a própria política decide puxar da cadeira e sentar-se ao lado do desporto para influenciar uma das grandes, se não a maior, decisões do mercado de transferências deste verão.

O verão em que Kylian Mbappé, a estrela do futebol de 23 anos, se viu no meio de uma batalha entre aquilo que o “New York Times” descreveu como o novo dinheiro contra a aristocracia. O Paris Saint-Germain com o dinheiro do Catar e o Real Madrid. Uma batalha que culminou com um ótimo contrato para o futebolista, que ao decidir ficar no PSG vai alegadamente receber mais de 250 milhões de euros durante os próximos três anos, segundo avançou o mesmo jornal.

Depois de vários meses em que se acreditou que Mbappé iria sair do PSG para se juntar ao Real Madrid, o clube francês decidiu dar luta. Primeiro recusou uma proposta no valor de 200 milhões de euros no ano passado, mesmo ciente de que o jogador ficaria livre este ano. Depois, e é aqui que entra a política, recorreu à ajuda de Emmanuel Macron, presidente francês, para garantir que o jogador não deixava o país.

A visão que o presidente apresentou a Mbappé foi a de ser o porta-estandarte do seu país, pelo menos por mais alguns anos. O jogador teria assim a oportunidade de ser um herói para a França e para o PSG ao mesmo tempo.

"Nunca imaginei que iria falar com o presidente sobre o meu futuro, sobre o meu futuro na minha carreira, por isso é algo louco, realmente algo louco. Ele disse-me: 'Quero que fiques. Não quero que te vás embora agora. És tão importante para o país’”, contou o jogador ao “New York Times”.

Não fugindo ao assunto, durante a conversa Macron mostrou-se consciente de que um dia Mbappé irá ser jogador do Real Madrid. Mas, segundo o avançado, o presidente disse: “Tens tempo para partir, podes ficar um pouco mais”.

“Claro que, quando o presidente te diz isso, isso conta", garantiu Mbappé, que mesmo assim só tomou a decisão final junto das pessoas que mais importam para si nestes momentos: os pais.

O patriotismo, o ficar em casa. Várias coisas o podem ter feito ficar, mas, segundo o próprio, não foi o dinheiro ou o poder, como muitas vezes se disse depois de anunciada a decisão. Mesmo com um bónus de 126 milhões de euros por ter assinado. Mas Mbappé garante: “Para onde quer que eu vá vou receber dinheiro. Sou este tipo de jogador onde quer que vá".

Mbappé confessou ainda que é "irritante" ler as acusações de que tinha exigido ter uma palavra sobre quem o treinaria ou até sobre quem seriam os seus companheiros de equipa. "Não é essa a minha função. E eu não quero fazer isso porque não sou bom nisso. Sou bom em campo. E fora do campo, esse não é o meu papel. Há tantas pessoas que são melhores do que eu", afirmou.

No entanto, apesar de ter decidido ficar em França pelo menos durante as próximas três temporadas, o Real Madrid continua a ser um assunto na sua carreira. “Nunca se sabe o que vai acontecer”, disse Mbappé, reconhecendo que embora não tenha jogado pelo Real Madrid, a equipa tem feito parte da sua carreira. “Nunca lá estiveste, mas parece que é como se fosse a tua casa, ou algo do género”.