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Joan Laporta garante que Frenkie de Jong “não está à venda", mas os números não mentem e é preciso cortar nos salários

O presidente do Barcelona quer manter Frenkie de Jong no plantel, mas também quer revolucionar os salários no clube. As duas coisas juntas parecem não ser possíveis, o que deixa no ar a forte possibilidade de, contra a vontade de muitos, o jogador sair durante o mercado de verão

Rita Meireles

Quality Sport Images

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Xavi garantiu que “Frenkie de Jong não sairá do Barcelona”, o próprio jogador nunca se mostrou agradado com a ideia de mudar de clube e Joan Laporta, o presidente do Barcelona, foi categórico quando questionado sobre a situação do internacional neerlandês: “Frenkie de Jong é jogador do Barça. Não está à venda". Mas a verdade é que existe interesse por parte do Manchester United e, olhando para as contas do clube, talvez o final desta história seja diferente da vontade de quem está na Catalunha.

Até porque o Barcelona não consegue sequer registar reforços como Franck Kessié ou Andreas Christensen devido a problemas com o fair play financeiro. "O Barça excede o limite salarial e temos de esperar", disse, ao "El País", o diretor do futebol Mateo Alemany.

"A prioridade neste momento é estabelecer a curto e médio prazo um equilíbrio salarial no plantel que seja proporcional ao mercado e ao valor e desempenho de cada jogador. A herança colocou-nos num cenário que exigiu uma intervenção imediata e que já começou com as partidas de Coutinho e Griezmann. Já há um ano que estamos a reconstruir", continuou o dirigente.

Sendo assim, a continuidade de De Jong está condicionada a uma redução salarial. O objetivo do clube é, segundo o jornal espanhol, conseguir situar a fatura salarial por volta dos 400 milhões de euros, o que significa um corte de cerca de 160 milhões de euros. Laporta explicou que os jogadores terão que aceitar a proposta que receberem por parte do clube, contando com estes cortes, para assegurar a sua continuidade.

“O jogador [Dembélé] não respondeu. Não há data concreta para resolver o assunto, mas se ele não aceitar a nossa proposta, não poderá continuar. Temos de dimensionar a tabela salarial que queremos, para que não haja desequilíbrios. O mesmo se aplica a Frenkie de Jong e aos reforços que chegam. Não temos pressa, embora saibamos que não podemos atrasar demasiado para não dificultar a chegada de outros jogadores que compreenderam a situação e estão à espera", afirmou.

De Jong tem mais quatro temporadas de contrato com o Barcelona. O clube, segundo dados do jornal “Marca” que teve acesso ao contrato do jogador, tem que pagar no total 88,58 milhões de euros pelo seu salário fixo e bónus de exclusividade. A este valor é possível somar outras quantias, como os 8 milhões de euros por jogar 60% dos jogos da época e um máximo de 12,8 milhões de euros (3,2 por ano) pelos títulos ganhos ou a entrada no jogo da final da Liga dos Campeões.

Os valores do seu contrato são elevados por causa do valor base do seu salário e da fidelização, mas também porque De Jong foi um dos jogadores que aceitou reduzir o salário por causa da pandemia. O problema é que o jogador acordou com o clube que iria recuperar esse dinheiro nas temporadas seguintes.

Por mais que Laporta diga que o jogador não está à venda, a verdade é que De Jong se encontra totalmente fora do limite salarial que a sua direção pretende alcançar. Isso a juntar ao facto de haver facilidade no mercado para vendê-lo, uma vez que o United já ofereceu 65 milhões fixos, pode fazer com que a saída do jogador que ninguém quer ver sair acabe por ser necessária.