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GP França. Ferrari estende a passadeira vermelha a Verstappen

Com o despiste de Leclerc, quando liderava, e Sainz a começar da cauda da grelha, a vitória de Max Verstappen em Paul Ricard foi uma mera formalidade. O neerlandês da Red Bull é mais líder do Mundial e Lewis Hamilton (Mercedes) faz o melhor resultado do ano, ao ser 2.º no 300 grande prémio da carreira

Lídia Paralta Gomes

ERIC GAILLARD/Getty

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As linhas brancas, azuis e vermelhas que serpenteiam o circuito de Paul Ricard dão uma falsa impressão de vertigem. A pista que recebe o GP França dá, normalmente, algumas das corridas mais aborrecidas da temporada e em 2022 - que poderá muito bem ser a última visita do traçado ao Mundial - não foi exceção. Apenas a Ferrari, ou os seus infortúnios, deram alguma emoção (péssima para os italianos) numa corrida em que Verstappen garantiu a 7.ª vitória do ano, um triunfo oferecido com direito a passadeira vermelha pela marca de Maranello.

A corrida de Carlos Sainz já estava comprometida com os efeitos do rebentar do motor do espanhol em Spielberg, há duas semanas. Atirado para a última linha da grelha depois de ter trocado a unidade motriz do F1-75, a prova do madrileno seria sempre de recuperação e contenção de danos. Já Charles Leclerc, depois de fazer a pole, partia em vantagem para conseguir a segunda vitória consecutiva, após o triunfo no GP Áustria. Só que depois de controlar o ritmo e manter Max Verstappen à distância na primeira fase da corrida, o monegasco despistou-se à volta 17, numa altura em que o neerlandês tinha parado na box.

O grito desesperado de Leclerc no rádio, a respiração pesada e ofegante dizia tudo sobre a desilusão do piloto, que depois de ser vítima dos erros da equipa, sofreu com os seus próprios erros, que admitiu mais tarde aos jornalistas.

Mais um dia difícil nos escritórios da Ferrari

Mais um dia difícil nos escritórios da Ferrari

ERIC GAILLARD / POOL/EPA

No campeonato do karma ferrarista, que já vai longo em 2022, um dado embaraçoso: é a terceira vez esta temporada que Charles Leclerc desiste sendo líder, depois de Espanha e Azerbaijão, essas duas primeiras com o motor a falhar. Assim não há milagres, num ano em que a fiabilidade dos novos carros tem sido uma questão.

Com o azar/incompetência da Ferrari, Max Verstappen ficou com via aberta para a vitória e a partir daqui o GP França foi, quase sempre, uma longa procissão de carros milionários, com duas ou três lutas em pista para animar pontualmente o adepto. A Ferrari conseguiu adicionar ainda mais desgraça à prova ao falhar a primeira paragem de Sainz pela box, que acabou penalizado com cinco segundos por unsafe release. O espanhol operou então uma grande recuperação, com direito a um belo duelo com Sergio Pérez, mas depois voltou à box para mudar pneus e cumprir a sanção. O espanhol não gostou de ser chamado de novo à garagem e terminou em 5.º.

Já a Mercedes conseguiu a melhor operação do ano, levando os seus dois pilotos ao pódio. Para Lewis Hamilton, no seu 300.º grande prémio da carreira, foi o melhor resultado da temporada, com o 2.º lugar. George Russell ultrapassou Pérez em grande estilo já nas últimas voltas, aproveitando o final de um safety car virtual para surpreender o mexicano, que terminou em 4.º.

Fernando Alonso, que durante o GP França tornou-se no piloto com mais voltas na história da F1, ultrapassando Kimi Raikkonen, levou o seu Alpine ao 6.º posto, Lando Norris (McLaren) foi 7.º e o segundo Alpine, de Esteban Ocon, 8.º. Daniel Ricciardo (McLaren) e Lance Stroll (Aston Martin) levaram os últimos pontos.

No Mundial, Max Verstappen aumentou a vantagem para Charles Leclerc. Tem agora 233 pontos contra os 170 do piloto da Ferrari. Sergio Pérez é 3.º, com 163 pontos. Russell (143) e Hamilton (127) estão agora mais próximos do 4.º posto de Sainz (144).

As corridas regressam já na próxima semana para o GP Hungria, nos arredores de Budapeste, na última prova antes da habitual pausa de agosto.