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Quase na corrida 300, Lewis Hamilton sabe bem que adversário lhe deu mais trabalho: “É muita pressão enfrentar um grande como o Alonso”

Na Fórmula 1, colegas de equipa não passam ao lado da rivalidade. Muito pelo contrário. Lewis Hamilton percebeu isso logo no seu primeiro ano, quando encontrou Fernando Alonso na McLaren. Hoje, elege o espanhol como o adversário mais difícil, ao mesmo tempo que se mostra entusiasmado com a oportunidade de ter mais batalhas com ele em pista

Rita Meireles

Paul Gilham

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No próximo domingo, Lewis Hamilton chega a mais uma marca memorável na Fórmula 1. Quando as luzes vermelhas apagarem no circuito de Paul Ricard, em França, o sete vezes campeão do mundo dá início à corrida número 300 da sua carreira. A data levou o piloto a olhar para o seu percurso e eleger o adversário mais difícil que encontrou pelo caminho.

E o seu nome é Fernando Alonso.

O atual piloto da Alpine foi o colega de equipa que Hamilton encontrou quando chegou à categoria-rainha, na McLaren, em 2007. O escândalo conhecido como ‘spygate’ levou a equipa a perder todos os pontos no Mundial de construtores nesse ano, mas no campeonato de pilotos o rookie britânico travou uma intensa batalha com o já consagrado espanhol. Ambos ficaram com 109 pontos, com o título mundial a ir parar às mãos de Kimi Raikkonen, da Ferrari, que fez apenas mais um ponto que o duo da McLaren.

“Penso que é difícil dizer quem foi o adversário mais forte porque cada vez que se está com alguém, está-se num lugar diferente na vida. Lembro-me da tarefa de estar ao lado do Fernando quando tinha 22 anos. Eu era tão jovem mentalmente e, claro, ok em termos de habilidade, mas é muita pressão enfrentar um grande como o Fernando”, disse Hamilton aos jornalistas esta quinta-feira.

Foi duro, sim, mas Hamilton não quer ficar por aqui e espera voltar a ter a oportunidade de batalhar com o espanhol. "Eu diria que, em ritmo puro, o Fernando [é o mais difícil]. Tivemos algumas boas batalhas. Quem me dera que pudéssemos ter mais. Espero que ele continue a correr, por isso espero que tenhamos mais no futuro", afirmou.

Apesar do respeito demonstrado hoje em dia, as coisas nem sempre correram da melhor forma entre os antigos colegas de equipa. Logo em 2007, era notória a tensão dentro da equipa. Uma rivalidade que ficou mais clara quando Alonso bloqueou Hamilton durante um pit stop no Grande Prémio da Hungria. Ron Dennis, chefe da equipa, defendeu o britânico, o que levou ao final do contrato para o ano seguinte entre o espanhol e a McLaren.

"Ele já tinha talento em 2007, ainda o tem agora, mas com experiência. Tem sido um piloto tremendo, uma lenda do nosso desporto, por isso tem sido sempre um prazer partilhar todo este tempo com ele. E nessa altura, provavelmente ninguém pensaria que alguém seria capaz de ganhar sete títulos como Michael [Schumacher]. A viagem tem sido espantosa. A equipa que todos eles construíram na Mercedes ao longo destes anos é extraordinária. Parabéns pelos 300", respondeu Alonso, já em Paul Ricard.

Num GP com tanto significado, o normal seria esperar uma vitória de Lewis Hamilton. Até porque foi a isso que habituou os adeptos. Mas a época complicada na garagem da Mercedes deixa a dúvida em relação ao resultado possível para o britânico.

"Estou a trabalhar para conseguir essa vitória e acredito que a dada altura seremos capazes de competir com eles [Red Bull e Ferrari], seja este fim de semana ou daqui a cinco corridas. A viagem é a parte importante. Não começámos onde queríamos estar, fizemos progressos e começámos a atingir uma parte de consistência. Quando voltarmos ao ponto onde merecemos estar, penso que o apreciaremos muito mais", concluiu Hamilton.