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Mick Schumacher conquistou os primeiros pontos na Fórmula 1 e não esqueceu o pai, Michael: “A sua ética de trabalho marcou-me”

Filho de um dos maiores nomes da história da Fórmula 1, Mick Schumacher ainda não tinha conseguido terminar nenhuma corrida entre os 10 primeiros classificados. Este ano esteve perto algumas vezes, mas foi preciso esperar até ao GP Grã-Bretanha para o conseguir. Os primeiros quatro pontos já ninguém lhe tira e na hora da alegria explicou o papel decisivo do pai na sua carreira

Rita Meireles

Mark Thompson

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O circuito de Silverstone foi palco de várias surpresas no passado domingo. Uma delas aconteceu nos últimos minutos da corrida, quando Mick Schumacher, até então com zero pontos, surgiu na imagem a disputar a sétima posição com Max Verstappen, atual primeiro classificado do mundial de pilotos. Schumacher acabou por não conseguir ultrapassar o campeão mundial do ano passado, mas a oitava posição deu-lhe algo que tão cedo não vai esquecer: os primeiros pontos da carreira na Fórmula 1.

"Finalmente!". Schumacher disse pelo seu rádio ao passar a bandeira axadrezada. "Eu disse-vos que este era o fim de semana! Provem que eles estão errados e acreditem em vocês mesmos, é o que eu tenho a dizer".

Mas o filho de Michael Schumacher, vencedor de sete mundiais da categoria, estava a conduzir por mais do que pontos. Dada a impaciência do chefe de equipa da Haas, para Mick tratava-se de dar provas de que realmente está no lugar certo.

Até domingo, o piloto de 23 anos não tinha conseguido pontuar num total de 29 corridas na Fórmula 1, todas elas pela Haas. Ao longo da atual temporada, tornou-se destaque por causa de alguns acidentes, como é o caso das corridas do Mónaco e Arábia Saudita, que forçaram a equipa a fazer reparações bastante dispendiosas no carro, que não ajuda o orçamento de uma equipa que no início da temporada perdeu o principal patrocinador, a Ural Kali, ligada à oligarquia russa.

Guenther Steiner, chefe da equipa, chegou a dizer, referindo-se ao piloto: "Não é possível continuar assim". A observação fez com que surgisse a dúvida em relação à continuidade de Schumacher na equipa. Até porque o outro piloto da Haas, Kevin Magnussen, regressou à Fórmula 1 este ano e tem conseguido pontuar. Neste momento soma 16 pontos, na 12.ª posição. Mas no domingo, Schumacher terminou dois lugares à frente de Magnussen, depois de uma corrida em que seis pilotos não chegaram a cruzar a meta. O piloto começou no 19.º lugar.

Ainda assim, quando questionado pela “Sports Illustrated” sobre o ambiente que se vive na equipa, antes da corrida em Silverstone, Schumacher garantiu: “É bom. Provavelmente não estamos onde é suposto estarmos ou onde merecemos estar. Penso que temos um carro bastante rápido e penso que temos tido um pouco de azar com algumas das corridas passadas. Penso que merecemos mais pontos do que aquilo que realmente temos. Temos que seguir, acelerar o ritmo e tentar recuperar o que perdemos”.

O resultado de domingo deixou a Haas em 8.º lugar no campeonato de construtores, entre 10 equipas, e Schumacher em 17.º na classificação individual. Tem atrás Alex Albon e Nicholas Latifi, da Williams, e Lance Stroll, da Aston Martin.

Mark Thompson

A euforia da Haas e de Mick foi apenas igualada, ou talvez até superada, por uma pessoa: Sebastian Vettel. O piloto alemão, que venceu o Mundial por quatro vezes ao serviço da Red Bull, foi sempre próximo de Michael Schumacher e é visto várias vezes com Mick no paddock. No final da corrida, assumiu que quando viu o piloto quase a ultrapassar Verstappen não conseguiu parar de gritar dentro do seu próprio carro.

"Eu estava a gritar dentro do carro: 'Vai Mick! Vai Mick!'. Estou muito feliz por ele, penso que já há muito tempo que ele merece o resultado e é ótimo consegui-lo", disse Vettel.

E Michael Schumacher fez também parte desta conquista, principalmente pelo papel que teve no momento em que o filho decidiu que era aqui que queria chegar: “Não foi um conselho, foi mais uma decisão. Estava no karting quando me perguntou se eu queria fazer isto como um hóbi ou se queria fazer isto numa base profissional. Eu disse claramente que queria fazer isto numa base profissional, depois ele disse: 'Bem, então tens que começar a trabalhar'. Foi essa ética de trabalho que definitivamente me marcou. É também o amor a este desporto, voltando sempre às raízes, ao karting básico. É por isso que fazemos isto. Porque o amamos, não pelo lado financeiro, não pela fama ou o que quer que seja. É puramente pelas corridas. Pelo menos é por isso que estou aqui”, garantiu na mesma entrevista.