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A pressão das redes sociais levou a melhor e Delfina Pignatiello decidiu abandonar a natação de alta competição

Terminou os Jogos Olímpicos convencida de que o caminho não terminava ali, apesar dos maus resultados, mas depois teve que lidar com as críticas nas redes sociais e acabou por perceber o quanto a afetam. Delfina Pignatiello não vai deixar de nadar, mas a competição vai ficar de lado

Rita Meireles

Buda Mendes

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Primeiro desinstalou as redes sociais do seu telemóvel, depois optou por eliminar definitivamente algumas das suas contas e parte do conteúdo de outras. Quando nada disto parecia suficiente, Delfina Pignatiello decidiu deixar para trás a natação a nível competitivo aos 22 anos.

Pignatiello deu nas vistas desde cedo. Aos 20 anos, ganhou três medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2019 e tornou-se a primeira atleta da Argentina na lista das eliminatórias para os Jogos Olímpicos de 2020. O feito fez com que chegasse a Tóquio com o favoritismo e como a grande esperança do seu país. Mas foi aí que o sonho, aos poucos, deixou de o ser.

Sempre que a nadadora tocou na parede da piscina de Tóquio, os resultados obtidos não eram os esperados pelo público ou por si. Tanto na prova dos 800 metros quanto na dos 1500 metros, Pignatiello terminou bastante atrás das suas rivais e das suas próprias marcas. Pior do que o resultado foi mesmo o que surgiu em seguida, quando se confrontou com duras críticas nas redes sociais. Menos de um ano depois deste episódio, a pressão mediática levou a melhor e Pignatiello anunciou que vai parar de competir.

"No meu coração permanecerá para sempre o orgulho, a alegria e a honra de ter representado a nossa bandeira azul e branca com tanta paixão ao longo dos anos. Agora gostaria de vos dizer que há alguns meses atrás decidi dar um passo atrás em relação à alta performance e competição", começa por escrever nas redes sociais, realçando que a natação vai continuar a fazer parte da sua vida, mas a partir daqui sem ser ligada à competição. “Continuo a nadar e estar na água será sempre o meu lugar no mundo".

O anúncio surge um pouco de surpresa. Depois dos resultados de Tóquio, a nadadora não parecia sequer equacionar a hipótese de abandonar a competição, mostrando-se disposta a aprender com o que tinha acontecido e seguir em frente. Com a entrada das redes sociais em cena é que as coisas começaram a mudar.

"Como era possível que o que mais me importava era o olhar de um grupo de pessoas que eu não conhecia? Foi quando percebi a extensão da minha exposição e o conforto com que os outros e os media opinavam sobre mim, o que fazia ou deixava de fazer, os meus sonhos e objetivos, como se fossem seus. E eu era uma escrava disso", disse a nadadora durante a sua “Ted Talk”.

O objetivo passa agora por nadar sem qualquer pressão, apenas pela paixão que tem por fazê-lo, e também dedicar-se a outras coisas que até aqui não tinha experimentado: "Comprei uma máquina fotográfica e embarquei num caminho artístico que estou a explorar com muita curiosidade, um desejo de aprender e de continuar a crescer", contou na mesma publicação.