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Brittney está detida na Rússia e ia falar com a mulher pela 1.ª vez, mas a chamada falhou: ninguém estava a trabalhar na embaixada dos EUA

Nos primeiros dias da detenção de Brittney Griner na Rússia, o seu paradeiro era desconhecido. Depois, apenas os advogados conseguiram ter contacto com a jogadora das Phoenix Mercury e da seleção dos EUA. Quando chegou a vez da sua mulher finalmente falar com a vencedora de duas medalhas de ouro olímpicas, a embaixada norte-americana na Rússia forneceu um número de telefone de um local sem funcionários ao fim de semana — e a chamada estava agendada há duas semanas

Rita Meireles

Michael Hickey/Getty

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Passaram mais de 120 dias desde que a jogadora de basquetebol norte-americana Brittney Griner foi detida num aeroporto russo por, alegadamente, estar na posse de estupefacientes como óleos canabinoides, vaporizadores e outros produtos relacionados. Desde então, as únicas pessoas que têm contacto com Griner são os seus advogados. Ou pelo menos seria assim até sábado, quando a jogadora ia falar com a sua esposa.

Isto se todas as partes envolvidas tivessem cumprido a sua parte do plano.

Cherelle tentou ligar à sua mulher quase uma dúzia de vezes através da embaixada dos Estados Unidos na Rússia, no sábado, dia do quarto aniversário do casal, mas a chamada não foi possível. O motivo: linha telefónica na embaixada não tinha pessoal de serviço, segundo contou, na segunda-feira, à "Associated Press".

Quando o telefone não tocou, Cherelle começou a imaginar o que poderia ter acontecido e imediatamente considerou que teria sido culpa das autoridades russas. Até que falou com os advogados da jogadora e soube a razão: Brittney Griner tentou ligar 11 vezes ao longo de várias horas, marcando um número que lhe tinha sido dado pela embaixada dos EUA em Moscovo, sendo que depois a chamada seria transferida para Cherelle Griner, em Phoenix.

Todas as chamadas ficaram sem resposta porque o local da embaixada onde o telefone tocava não tinha pessoal a trabalhar durante o fim de semana.

"Estava desesperada, magoada, farta. Tenho quase a certeza que enviei uma mensagem de texto ao agente da BG e disse: 'Não quero falar com ninguém'. Vou precisar de um tempo para juntar as minhas emoções. Porque isto simplesmente me deixou mal. Eu não estava bem, ainda não estou bem", afirmou Cherelle na mesma entrevista à “Associated Press”.

O governo norte-americano emitiu um pedido de desculpas na segunda-feira: “Lamentamos profundamente que Brittney Griner não tenha podido falar com a sua esposa devido a um erro logístico”. Mas, para a esposa da jogadora, esta experiência só aumentou ainda mais o sentimento de frustração em relação à resposta que executivo do presidente Joe Biden tem dado a este caso.

"Acho inaceitável e, neste momento, não tenho confiança nenhuma no nosso governo. Se não posso confiar em ti para atenderes uma chamada num sábado, fora do horário de trabalho, como posso confiar em ti para estares realmente a negociar em nome da minha mulher para ela voltar para casa? Porque isso é algo muito maior do que atender uma chamada ao sábado", continuou, realçando que, ainda que este número só esteja disponível de segunda a sexta-feira, a chamada tinha sido marcada há cerca de duas semanas.

Cherelle Griner disse ainda que não tinha perdido a esperança de conseguir falar ou encontrar-se com o presidente Joe Biden, embora comece a sentir que isso não vai acontecer.

“Este seria um momento tão importante. Teria sido a primeira vez em que eu poderia realmente dizer se ela está bem. Esta teria sido a primeira vez que a ouviria em tempo real e saberia verdadeiramente se ela está bem, ou se está a segundos de não existir mais”, concluiu Cherelle.

Brittney Griner continua detida na Rússia e, na semana passada, viu a sua prisão preventiva ser prolongada novamente. Desta vez até 2 de julho.