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A casa às costas

“A minha mulher enviou-me a foto com o teste de gravidez em cima do puff e perguntou se sabia o que era. Pensei que era o comando da Wii”

Fábio Espinho ganhou o apelido da terra que o viu nascer quando entrou nas escolinhas do FC Porto, onde permaneceu 14 anos, até ser obrigado a procurar outro clube para iniciar a carreira sénior. Aos 21 anos perdeu o pai, de repente, e à beira da sepultura prometeu-lhe fazer a carreira de profissional de futebol com que sempre sonhou. Após três épocas no SC Espinho, ficou dois anos no Leixões e mais dois no Moreirense, antes de ter coragem para se afastar de casa. Partiu para a Bulgária com a mulher e uma filha recém-nascida, mas sobre esta aventura falamos na segunda parte deste Casa às Costas

Alexandra Simões de Abreu

Rui Oliveira

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Nasceu em Espinho. Filho de quem?
Sou natural do famoso bairro de Espinho, filho de Manuel Fonseca, que faleceu há 15 anos, e de Maria do Rosário. Tenho um irmão quatro anos mais velho, que foi jogador e era conhecido por Bruno Fogaça. O meu pai era ourives, trabalhava para uma empresa que fazia entrega de ouro, ele fazia as amostras. A minha mãe trabalhava num supermercado.

Quais as primeiras memórias que tem da infância?
A minha infância foi espetacular, à moda antiga. Dizemos em tom de brincadeira que é uma infância à bairro, porque foi passada na rua, com liberdade total, dentro de algumas regras a nível de horários, de perigos. Eu era muito rufia, onde havia perigo eu estava lá.

Que história memorável ainda hoje é recordada em família?
Lembro-me de com 9, 10 ou 11 anos pendurar-me no comboio inter-regional que, salvo erro, fazia Espinho-S. João da Madeira. Quando partia de Espinho nós pendurávamo-nos, mas não era para fazer a viagem sem pagar, era só mesmo para brincar. Quando achávamos que já estava numa boa velocidade atirávamo-nos do comboio. Lembro-me de jogar ao pião, ao berlinde, às escondidinhas. Foi uma infância da qual me orgulho e tenho saudades. Melhor era impossível.

O que queria ser quando fosse adulto?
Sempre tive o sonho de ser jogador. O bichinho do futebol já nasceu dentro de mim, por aquilo que os meus pais me contavam. Eu fazia de tudo uma bola, fosse uma lata, uma garrafa, para mim tudo era bola. As memórias que tenho é de sentir sempre essa paixão. Quando o Espinho estava nos tempos áureos da I Divisão, os meus pais iam ver os jogos e eu ia com eles. Se calhar, foi por aí também. Sempre fui muito próximo do futebol, não tendo ninguém na família que fizesse carreira.

Gostava da escola?
Não. Ainda bem que os meus filhos não estão a ouvir [risos]. Nunca fui um apaixonado pela escola. Desde cedo empenhei-me com tudo no futebol.

Quem eram os seus ídolos?
Ronaldo, o Fenómeno, o Zidane, o Figo, dentro dessas gerações foram os jogadores que mais me marcaram.

Em casa só torciam pelo Espinho?
A família dos meus pais é portista. Não posso mentir, devido à formação que tive, 14 anos ligados ao FC Porto, sempre tive um carinho especial pelo FC Porto; mas assim que viramos profissionais já não olhamos a clubes, defendemos as nossas cores.

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