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Jogo entre Murray e Kokkinakis durou quase seis horas e acabou às 4h da manhã, mas mudará alguma coisa no Open da Austrália? Parece que não

Os jogadores no court não gostaram e aqueles que estavam fora criticaram. Os adeptos vibraram, mas não ignoraram as implicações a nível físico para os atletas. Apesar de ter sido o jogo mais longo desta edição do Open da Austrália, a organização do torneio não fará quaisquer alterações no planeamento das partidas

Rita Meireles

Clive Brunskill

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Andy Murray e Thanasi Kokkinakis foram os protagonistas de um dos momentos mais marcantes desta edição do Open da Austrália. Pelo facto de ter cinco horas e 45 minutos, ter durado até às 4h da manhã e terminado com a vitória de Murray, que já contou com muitos problemas físicos, este jogo tão depressa não sairá da memória dos adeptos da modalidade.

A dupla de tenistas só começou a partida às 22h20 locais e se é verdade que garantiram espetáculo aos adeptos durante bastante tempo, também é verdade que o desgaste físico foi extremo. No final, foi impossível para a organização do torneio conseguir escapar ao coro de críticas.

Martina Navratiova, a antiga número um do mundo, recorreu às redes sociais para comentar a duração do jogo. “É essencial que criemos melhores regras no ténis em relação ao tempo (luz e vento) e aos horários de início ou de corte para os jogos. O Murray e Kokkinakis terminarão por volta das 4h da manhã. Louco. Nenhum outro desporto faz isto”, escreveu.

O próprio Murray classificou toda a situação como “um pouco uma farsa” e negativa para os jogadores, adeptos e funcionários. “Não sei para quem é benéfico”, disse na conferência de imprensa após a partida.

Confrontado com esta situação, Craig Tiley, o diretor do torneio, justificou os atrasos com as más condições climatéricas do início da semana, defendendo que não há qualquer necessidade de fazer alterações na programação.

“Nesta altura, temos de encaixar os jogos nos 14 dias. Não temos muitas opções”, explicou ao ‘Channel 9’. “Quando se marca um jogo como aquele pouco antes das 22h, não se espera que se aproxime das seis horas. Quando tens 25 sessões, duas semanas, centenas de milhares de pessoas a passar pelo portão, todos os melhores jogadores do mundo aqui, vais ter esses momentos”.

Esta não é a primeira vez que tal acontece num torneio de ténis. Aliás, o jogo mais longo da história da modalidade durou 11 horas e cinco minutos, em Wimbledon. A partida disputada entre o americano John Isner e o francês Nicolas Mahut teve que ser dividida ao longo de três dias.

Neste caso não houve tempo para cortes, nem para pausas. Murray mostrou o seu descontentamento por ter sido impedido pelo árbitro de ir à casa de banho quando o relógio já marcava as 3h. “É tão desrespeitoso que o torneio nos tem aqui até às três, quatro da manhã e não nos é permitido ir à casa de banho. É uma piada”, soltou o tenista que conta apenas com 28 horas entre esta longa partida e a terceira ronda do Open da Austrália (no sábado, contra Roberto Bautista Agut).

Apesar de terem ficado perto, Murray e Kokkinakis não chegaram a ultrapassar o tempo de duração da maior partida jogada no Open da Austrália.

Foi em 2012, quando Novak Djokovic e Rafael Nadal disputaram a final do torneio durante cinco horas e 53 minutos. Confirmando o historial de Melbourne em relação aos horários, apenas uma partida do Grand Slam terminou mais tarde do que esta: na edição de 2008. Lleyton Hewitt e Marcos Baghdatis apenas largaram as raquetes às 4h34 da madrugada.