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Swiatek - Jabeur. A final feminina do US Open será entre a número 1 mundial e a tunisina em busca de redenção

A polaca de 21 anos teve de arreganhar os dentes para derrotar o ténis potente de Aryna Sabalenka, por 3-6, 6-1 e 6-4, enquanto a tunisina atropelou Caroline Garcia (6-1 e 6-3), voltando a uma final de um major depois da desilusão vivida há uns meses em Wimbledon. A final é sábado, às 21h de Lisboa

Lídia Paralta Gomes

Robert Prange/Getty

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Era a final que a lógica contava, mas no ténis feminino nem sempre a lógica é lógica. O US Open, último torneio do Grand Slam da temporada, terá frente a frente no encontro decisivo a número 1 mundial, Iga Swiatek, e a número 5, a tunisina Ons Jabeur. E a lógica não se vê pelo ranking, mas sim pela história de 2022, em que foram, provavelmente, as duas principais figuras do ténis feminino, que com elas resistiu ao prematuro adeus de Ash Barty, a australiana que depois de abrir o ano com a vitória no seu Grand Slam, decidiu abandonar a competição. Com apenas 25 anos e com perspectivas de ser número 1 mundial por largas e largas semanas.

Barty saiu de cena e entrou Iga Swiatek, que em certos momentos da época pareceu imbatível. De fevereiro até Roland Garros venceu todos os torneios em que entrou, levantando o troféu no Catar, Indian Wells, Miami, Estugarda, Roma (onde na final bateu Jabeur) e, por fim, no Grand Slam de Paris. Uma lesão no ombro terá cortado o ímpeto vencedor da jovem polaca, que caiu cedo em Wimbledon e daí para cá tem somado resultados desapontantes.

Mas em Nova Iorque ressurgiu. Nas meias-finais deu conta do ténis poderoso da bielorrussa Aryna Sabalenka, que parecia até a tenista mais em forma neste US Open. Sabalenka começou por vencer o primeiro set, mas Swiatek virou o encontro. Com 3-6, 6-1 e 6-4, em 2h11, a tenista de Varsóvia, de 21 anos, chega à segunda final de um major este ano, à procura do terceiro título em torneios do Grand Slam, o primeiro em piso rápido depois de dois triunfos em Roland Garros. Legitimar aqueles primeiros meses do ano, fechando 2022 em alta e reforçando o estatuto de melhor tenista do mundo, será o que pairará na cabeça de Swiatek.

Segunda final em majors em 2022 também para Ons Jabeur, a tunisina que trouxe magia para o circuito feminino, com um ténis por vezes circense e um acervo de pancadas amplo. É divertido ver Jabeur a jogar e isso já é dizer muito. A 5.ª cabeça de série será a primeira africana e a primeira árabe a disputar a final do US Open e também esse papel é relevante, enquanto atleta que pode inspirar outras mulheres em partes do planeta em que estas muitas vezes estão impedidas de praticar desporto. Este ano tornou-se também na primeira árabe a vencer um Masters, em Madrid.

Para Jabeur, a final terá de servir como uma espécie de redenção. Nas meias-finais bateu Caroline Garcia, francesa que voltou em 2022 à boa forma e que vinha de 13 vitórias consecutivas, por claros 6-1 e 6-3, repetindo uma final num dos quatro principais torneios do ano. Jabeur esteve no jogo decisivo em Wimbledon, numa fase em que era a tenista em melhor forma do circuito. A inesperada derrota frente à cazaque Elena Rybakina foi, seguramente, a maior desilusão da carreira da atleta da Tunísia, que na segunda-feira será de novo número 2 mundial. Em Nova Iorque, lutou por uma nova oportunidade de conquistar pela primeira vez um torneio do Grand Slam e na final de sábado (21h, Eurosport 1) a tenista de 28 anos terá de mostrar mais consistência do que se viu ao longo do ano para bater Swiatek, um metrónomo eficaz, frio, que terá no controlo mental uma das maiores fortalezas.

Será um jogo entre dois estilos distintos, duas formas diferentes de estar em campo. Mas a final que provavelmente todos esperavam.