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Mundial 2022

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Scaloni, o treinador que devolveu o título mundial à Argentina: “Os jogadores reagiram, é tudo mérito deles. Estar no topo é algo incrível”

Depois do triunfo da seleção que orienta contra a França, o treinador, emocionado, recordou os pais e sublinhou ser “um momento para desfrutar”

Pedro Barata

Jam Media/Getty

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A eliminação da Argentina contra a França, no Mundial 2018, deixou a alviceleste numa encruzilhada. Com o que parecia ser o final da geração Messi na seleção e após uma gestão altamente controversa e cheia de polémicas por parte de Sampaoli, o Catar 2022 parecia uma preocupação distante.

A viver uma difícil situação financeira e tendo de gastar bastante dinheiro na indemnização para despedir Sampaoli, a Federação Argentina (AFA) deu o banco da equipa a Lionel Scaloni, opção barata que já estava nos quadros da entidade. Sem experiência como técnico principal, o ex-internacional que defendera a camisola dos aí bicampeões do mundo em sete ocasiões assumiu, sem grande alarido, a tarefa, numa escolha até criticada por Maradona.

Pouco a pouco, Scaloni foi construindo um grupo com novos jogadores. A Copa América 2019, em que a Argentina foi eliminada nas meias-finais num equilibrado duelo contra o Brasil, deu alguma esperança para o futuro, ao mesmo tempo que Messi se integrava no plantel que foi formado, numa fase inicial, sem presença de Leo.

O triunfo na Copa América 2021, na final no Maracanã contra o Brasil, evidenciou, definitivamente, que o caminho era o correto. A vitória no Mundial 2022, terminando com o jejum que durava desde 1986 e dando uma terceira estrela à Argentina, coloca Scaloni no panteão onde estão técnicos como Menotti, ganhador em 1978, e Bilardo, campeão em 1986.

Depois do emocionante triunfo contra a França, Scaloni sublinhou ser “um momento para desfrutar”, sobretudo “para os adeptos”, e realçou a capacidade que a sua equipa teve para dar a volta a diversas contrariedades. “Os jogadores reagiram, é tudo mérito deles. Estar no topo é algo incrível”.

Numa pequena entrevista ainda no relvado, com o filho ao colo e sem esconder as lágrimas, o técnico falou, emocionado, das pessoas a quem queria dedicar a conquista: “Se o meu pai está a ver, e creio que sim… e a minha mãe… eles deram-me uma forma de entender, de nunca baixar os braços, de não ir contra ninguém e olhar sempre em frente. Hoje deu frutos, desfrutar é o mais importante, mas é importante que as pessoas percebam que, sendo eu ou outro treinador, a intenção é sempre fazer as coisas bem”

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    Crónica de Jogo

    Sofrimento, drama, reviravoltas, lágrimas, houve de tudo na final do Mundial que apenas foi decidida nos penáltis, após o 3-3 que sobrou da montanha-russa dos 120 minutos de jogo. Porque houve, também, um hat-trick de Kylian Mbappé, príncipe-herdeiro do futebol, e dois golos de Lionel Messi, o dono do trono que finalmente, aos 35 anos e na despedida destes palcos, resgatou a Argentina para a conquista do terceiro Mundial da sua história. E, com que então, a coroa de Leo estava guardada para o fim