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“O falcão, na tua mão, é como um filho ou um amigo”: mergulho num misticismo nacional do Catar que não está ao alcance de todos

Mundial 2022

RAUL ARBOLEDA

No Souq Waqif está talvez o mais importante hospital de falcões do Médio Oriente. À volta existem lojas que vendem essa e outras aves, mas também artesanato e utensílios todos virados para esta devoção nacional. As criaturas participam em corridas e caçam, às vezes ganhando o direito a ter um nome. Fomos a uma clínica, em Al Khor, onde alguns donos pagam entre €1.300 e €1.800 por cada visita para testes de rotina, que repetem a cada 10 ou 14 dias. Ouvimos mais do que uma vez que toda a gente tem um, mas o salário mínimo, se cumprido, está fixado nos €260

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Hugo Tavares da Silva

Hugo Tavares da Silva

enviado ao Mundial 2022

Jornalista

O ofício de Rashid é vender falcões. Parece uma vida pacata e relaxante. Está numa loja no Souq Waqif, o lugar mais feliz de Doha e que confunde viajantes forasteiros quanto à natureza do regime, por ser tão harmonioso, colorido e cheiroso. Rashid, do Bangladesh, vai contando coisas vulgares e fala sobre os preços, que podem ascender aos 5.000 euros. Depende do tamanho e do berço, já que alguns aprendem a comer e a procurar alimento desde pequenos.

“Toda a gente tem um falcão, dos mais velhos aos mais novos. Fazem corridas e caçam”, conta com uma voz mansa e tímida. No interior da loja estão algumas daquelas feras elegantes viradas para onde lhes convém, cercadas por prateleiras que carregam bules com tons diferentes e o que parece ser uma coroa no topo do edifício. Veem-se também tecidos mal amanhados e esquecidos, e ainda uma máquina de costura, o que sugere a presença de algum tipo de ecletismo. Também estão outros na rua, entre o sol e a sombra, quem sabe para atrair visitantes. Alguns têm os fabulosos olhos vendados.

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