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País de Gales - Inglaterra: um vídeo de 30 segundos com seis anos reacendeu uma rivalidade histórica

Os festejos de Bale e Ramsey em 2016, após a derrota da Inglaterra com a Islândia, voltaram a ser discutidos em conferências de imprensa

Pedro Candeias

Bale e Keane quando os seus caminhos se cruzaram no Tottenham

Pool

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O País de Gales tem à sua direita a Inglaterra e à sua esquerda os mares da Irlanda e da Escócia. E o País de Gales tem três milhões de habitantes que povoam uma área de 20 mil quilómetros quadrados, contra os 55 milhões de ingleses e os seus 130 mil quilómetros quadrados de território e todo o seu poderio físico e simbólico.

Posto isto, não é difícil imaginar que o País de Gales encare o jogo contra Inglaterra como um bocadinho mais do que apenas um jogo contra uma seleção num Mundial. Curiosamente, e apesar do longo registo de encontros entre ambas as nações (105; 70 vitórias para os ingleses), este é o primeiro cara-a-cara num Campeonato do Mundo. Que começou a ser jogado lá atrás, em 2016.

Para se compreender o que acaba de se escrever, é preciso recuar até ao Europeu que Portugal conquistou em França. Nesse evento, a Inglaterra foi embaraçosamente eliminada pela Islândia nos oitavos de final de uma competição em que o País de Gales progrediu até às meias-finais, para ser derrotado com os golos portugueses de Cristiano Ronaldo e de Nani.

Bom, sucede que após o desastroso jogo dos ingleses contra os islandeses, circulou o vídeo de 30 segundos dos festejos exuberantes dos futebolistas do País de Gales, com Gareth Bale à cabeça - e Bale é notoriamente conhecido por dizer que nenhum jogador inglês teria lugar no onze da formação galesa.

Ora bem, oito anos depois desse incidente que Inglaterra digeriu com bastante acidez, o episódio voltou a ser recordado em sede de conferência de imprensa por Luke Shaw. Quando lhe perguntaram se celebraria como os galeses se vencesse o encontro desta terça-feira, o defesa esquerdo disse o seguinte: “Acho que somos um grupo respeitoso. Fazemos as coisas da forma correta. É esse o exemplo que o Gareth Southgate [o selecionador] quer impor e nós estamos cem por cento de acordo com ele.” Mas pode o tal vídeo funcionar como factor motivacional? “Creio que sim, creio que se pode dizer isso.”

Os jornalistas não desarmaram e questionaram-no sobre o teor do vídeo. “Claro que não foi simpático. Mas não quero falar demasiado sobre isto. Quero focar-me no que fazemos dentro do campo. Podemos dizer coisas em entrevistas, mas eu prefiro falar dentro do campo.”

O País de Gales - Inglaterra disputa-se esta terça-feira, às 19h.