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Mundial 2022

Uma braçadeira diz mais do que mil palavras. É o que esperam as seleções que vão defender os direitos dos homossexuais no Catar

Com o pontapé de saída no Mundial 2022 cada vez mais próximo, começam a surgir as iniciativas que foram tão pedidas pelos adeptos. Dez federações europeias vão colocar o capitão das suas equipas a usar uma braçadeira de apoio à comunidade LGBTQ+ durante o Mundial ou nos jogos para a Liga das Nações. Portugal não está incluído no grupo

Rita Meireles

“Direitos humanos”, lê-se nas ‘t-shirts’ da seleção da Alemanha, num jogo de qualificação para o Mundial do Catar

TOBIAS SCHWARZ / GETTY IMAGES

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Entre as diversas leis do Catar que vão contra os direitos humanos está a homossexualidade ser ilegal. Com isso em mente, um grupo de federações de futebol europeias decidiram que os seus capitães vão usar uma braçadeira onde aparece desenhado um coração preenchido com as cores do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQI+, e as palavras “1 Love”. O gesto faz parte de uma campanha contra a discriminação que vai ter lugar durante os jogos do Mundial 2022.

A Federação de Futebol dos Países Baixos, que desempenhou um papel de liderança na campanha, revelou que oito equipas europeias que se qualificaram para a competição no Catar vão participar na ação, e que outras duas vão usar as braçadeiras nos próximos jogos das equipas nacionais na Liga das Nações. O grupo de federações inclui também a Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Inglaterra, Noruega, País de Gales, Suécia e Suíça.

Portugal não surge entre os países que abraçaram esta iniciativa. Esta quarta-feira, Bruno Fernandes foi questionado sobre este e os outros problemas que caracterizam o Catar, mas mostrou-se convencido de que não está nada nas mãos dos jogadores: “São coisas que nos ultrapassam um bocadinho. Nós, como jogadores, não há muito que possamos fazer. Há jogadores que já se exprimiram em relação a isso e nada mudou”.

Esta braçadeira é uma das respostas que surgiu após vários adeptos, grupos defensores dos direitos humanos e profissionais do futebol terem colocado pressão nas nações que vão marcar presença no torneio. O que se espera é que usem a sua voz e influência para se manifestarem contra as leis do país e também para alertarem para a forma como vários trabalhadores foram tratados ao longo dos anos em que o Catar se preparou para o evento do final do ano.

As braçadeiras ainda não foram aprovadas pelo órgão dirigente do futebol, a FIFA, que tem regras rigorosas em relação aos equipamentos e sobre a exclusão de questões políticas e sociais dos terrenos de jogo. O que se espera é que esta pressão pública consiga equilibrar as expectativas da FIFA e dos patrocinadores e as exigências dos adeptos.

"O uso conjunto da braçadeira em nome das nossas equipas enviará uma mensagem clara quando o mundo estiver a assistir", disse o capitão inglês Harry Kane numa declaração.