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“É mentira”, “é uma anedota”, “pessoas mentirosas”: presidente da federação de judo desmente acusações de carta aberta de judocas

Jorge Fernandes, presidente da Federação Portuguesa de Judo, reagiu esta tarde às acusações de sete judocas do projeto olímpico português

Hugo Tavares da Silva

ssiltane

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O presidente da Federação Portuguesa de Judo respondeu, esta tarde, à carta aberta de sete judocas portugueses do projeto olímpico, onde é acusado de ser responsável pelo “clima insustentável e tóxico” na modalidade e ainda de “discriminação”.

Jorge Fernandes, em entrevista à Rádio “Observador”, começou por negar as atitudes opressivas e discriminatórias referidas na missiva, acusando no fim da conversa Telma Monteiro e Bárbara Timo de arquitetarem esta onda de insatisfação, por querem apenas estagiar fora do país. O dirigente desmentiu também as acusações de falta de diálogo e falta de sensibilidade: “Comigo nunca falaram sobre isso. É mentira, comigo nunca falaram sobre isso. Isto é uma surpresa, mas está bem”.

A certa altura, na carta, denuncia-se que o atleta Anri Egutidze foi impedido de fazer uma prova de qualificação olímpica porque faltou a um estágio devido a uma consulta médica. “Esta decisão foi tomada sem que qualquer médico do clube ou da federação considerasse o atleta inapto”, escreveram os sete atletas. Jorge Fernandes nega.

“É mentira, é mentira, é mentira. Quem diz isso é mentiroso. Como é que algum atleta pode dizer se falei com um médico ou não?”, continuou para a Rádio Observador, enquanto conduzia. “Claro que falei com os médicos. Os médicos do clube, o Benfica, falaram com os médicos da federação e o médico da federação falou comigo. É mentira que eu tenha tomado a decisão sem ouvir ninguém.”

A denúncia dos atletas menciona também que Egutidze terá sido impedido de falar georgiano, a língua materna, com um compatriota. “Eles podem dizer o que quiserem, nem comento. O que posso fazer? É uma anedota, não é mais nada.” Fernandes também não admite que tenha havido discriminação no tom em relação aos atletas brasileiros, referindo apenas que, quando Bárbara Timo se recusou a treinar, perguntou se ela tinha aquelas atitudes no Brasil.

Jorge Fernandes, acusado de fazer tentar impedir verbalizações sobre questões de saúde mental para não passar uma imagem de fragilidade, desafia as “pessoas mentirosas” a dizerem isso à sua frente. O presidente da federação nega também esse dado, afirmando que nada tem a ver com as entrevistas que os judocas dão.

Finalmente, depois do apelo para haver mudanças a bem da competitividade da modalidade no país a menos de dois anos dos Jogos de Paris, Jorge Fernandes diz que nada mudará. “Não vou reunir com ninguém, fomos eleitos, temos um programa, o resultado é que manda, como costumo dizer. Os resultados foram os melhores de sempre da história do judo”, disse, sugerindo depois que o ruído pode ter a ver com o arranjar “desculpas” por parte de atletas a quem a vida não tem corrido assim tão bem.

Os treinos e estágios em Coimbra são uma inevitabilidade, garante. “Não há outro sítio para treinarmos, eles sabem disso. [Mas] também não permitimos que certos atletas sejam egoístas e só pensem neles, porque a seleção é composta por cerca de 70 atletas”, referiu antes de acusar Telma Monteiro e Bárbara Timo de quererem apenas estagiar fora do país.

Jorge Fernandes diz que não quer levantar problemas e que, por isso, não avançará com nenhuma ação judicial.