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“Custa-me entrar em relações de amizade que os atletas portugueses por vezes procuram. Não sou amigo deles, mas dou-me bem com todos”

Na segunda parte da entrevista, Moncho López fala-nos da paixão pelo basquetebol e da carreira até chegar ao FC Porto. O treinador galego revela porque está arrependido de se ter demitido da seleção espanhola, descreve o choque que sentiu quando chegou a Portugal e conta como os jogadores angolanos lhe deram uma lição, entre muitos outros pormenores. A caminho do Japão, onde vai treinar uma equipa da II Divisão, explica ainda porque deixou cedo de ser grande fã da NBA

Alexandra Simões de Abreu

RUI DUARTE SILVA

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Nasceu em Ferrol, Espanha. É filho de quem?
O meu pai Ramon foi técnico de eletrónica, trabalhou sempre para o Estado. Não é militar, mas trabalhava na Marinha espanhola. A minha mãe, Pilar, era empregada de uma loja de eletrodomésticos que era propriedade deles. Tenho um irmão Ricardo, mais velho três anos, e uma irmã Maria, mais nova oito anos.

Foi uma criança tranquila?
Era um miúdo ativo, cheio de energia, mas dizem que bastante responsável, nunca fui malandro. Não gostava de futebol, o meu pai diz que eu era sempre o guarda-redes, quando se organizavam jogos de futebol na rua, mas que era um pesadelo para os meus colegas porque logo que começávamos a jogar eu virava-me e ia para as silvas à procura de um borboleta ou de grilos. Este episódio contou-me o meu pai e pais de amigos. Penso que só aconteceu uma vez, mas passei a ser o tipo que andava nas silvas à procura de bichinhos [risos].

Qual era o desporto de que mais gostava?
Gostava muito de ciclismo, acompanhava as provas, na adolescência apaixonei-me pelo motociclismo, que curiosamente agora não acompanho. Andei de mota dos 14 anos até sair da universidade. Mas o meu primeiro desporto foi andebol, na escola, com 13 anos e com 14 comecei a jogar basquetebol.

Porque mudou?
O meu irmão jogava basquetebol, o meu grupo de amigos na turma também e o professor de educação física, que também era o meu treinador de andebol, tinha sido atleta profissional de basquete. De alguma maneira influenciou a que toda a equipa de andebol passasse para o basquete.

Apaixonou-se logo pela modalidade?
Completamente. Uma grande paixão mesmo.

O que o cativou?
A envolvência, que o andebol tem parecido, em todas as fases do jogo e de todos. Todos defendemos, todos atacamos, muita partilha da bola; a possibilidade de fazer substituições permanentes; a intervenção do treinador. Eu achava muita piada aos descontos de tempo. Na altura não havia quadro e o meu treinador pegava em cinco moedas, punha no chão e uma era o base, a outra o poste e movimentava. Gostei de toda a parafernália que envolvia o basquete.

Jogou em que posição?
Comecei a poste, depois fui extremo e a seguir base. Marcava muitos pontos, tinha muito bom lançamento. Não sou muito alto e deixei de jogar muito cedo porque, ao mesmo tempo, apaixonei-me pelo treino.

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