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A casa às costas

“Os adeptos do Vitória invadiram o campo e eu só pensava que ia apanhar sem motivo, porque tinha acabado de chegar ao clube”

Rodrigo Defendi desejou ser homem do lixo para andar pendurado num camião, mas um treino de captação do irmão mais velho acabou por colocar-lhe o futebol no caminho. Aos 15 anos saiu de casa para jogar no Cruzeiro e pouco depois o central já estava do outro lado do oceano, no Tottenham, depois Itália. Não vingou ali e quis voltar a ser feliz na terra natal, o Brasil, de onde saiu novamente para jogar no V. Guimarães. Domingo leia a segunda parte deste Casa às Costas

Alexandra Simões de Abreu

D.R.

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Nasceu em Ribeirão Preto, no Brasil. Filho de quem?
Sou filho de um bombeiro, Edelcio Defendi, e de uma professora de artes, Aparecida de Fátima Farinelli Defendi. Tenho um irmão mais velho três anos, o Júnior, e outro mais novo seis anos, o Guilherme.

Qual é a sua primeira memória de infância?
Lembro-me que morávamos numa casa bem pequena e éramos muito felizes, muito felizes mesmo. Era uma casa aconchegante e divertimo-nos muito, eu e os meus irmãos.

Fazia muitas traquinices ou era uma criança tranquila?
Dos três filhos eu fui o que mais aprontei [risos]. Tenho algumas histórias. Tenho uma, por exemplo, com nove anos, quando jogava basquete com o meu irmão na garagem de casa. O nosso portão tinha umas lanças para proteger dos intrusos e eu coloquei a cesta de basquete pendurada nessas lanças, pareciam umas facas; quanto fui fazer afundar no cesto o meu braço aterrou numa lança. Fiquei quase pendurado na lança. Porém, eu tinha muito medo de ir ao médico, de tomar injeção, então eu e o meu irmão escondemos da minha mãe.

Esconderam durante quanto tempo?
Nem um dia, porque isso aconteceu à noite, eu peguei num pano de trapo, enrolei, tapei e fui dormir cedo. A minha mãe estranhou, eu nunca ia dormir cedo. No outro dia fui para a escola e a minha mão estava tão inchada que nem conseguia segurar na caneta. Voltei para casa e quando fui segurar no prato da comida a minha mãe viu os meus dedos inchados: "O que acontece?". Comecei a contar e a chorar de desespero, tive de ir ao médico e levar pontos. Tenho uma cicatriz até hoje e por pouco não perdi o movimento da mão direita.

Da escola, gostava?
Gostava da escola, não gostava de estudar [risos].

O que dizia querer ser quando fosse grande?
Eu queria ser lixeiro porque via os homens pendurados no camião e gostava. Quando ia ao supermercado eu atirava coisas para dentro do carrinho e dizia ser lixeiro [risos]

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