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Entre quezílias e arrufos, o Sporting ganhou à Roma

Pedro Gonçalves, Gonçalo Inácio e Bruno Tabata marcaram os três golos com que a equipa de Rúben Amorim ganhou (3-2) à de José Mourinho, num encontro em que as zaragatas entre futebolistas foram muitas e onde se deu razão a quem advoga que não há jogos amigáveis

Diogo Pombo

Carlos Rodrigues/Getty

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Aconteceu nas imediações da hora de jogatana: Porro esticou-se pela relva para desarmar Zalewski, é bem-sucedido apesar da dureza, ambos se levantam e o polaco retribuiu a tentativa, mas em falta; os jogadores trocam uns acepipes verbais, encostam corpos, levantaram-se os esqueletos que estavam nos bancos de suplentes ali mesmo ao lado e uma mini escaramuça se estalou que terminou com Ugarte a ver um cartão amarelo por empurrar um adversário. Muito boa gente advoga que não existem jogos amigáveis, há-os é particulares, como este.

O Sporting-Roma no calor algarvio foi sendo aquecido pelo clima e o que o jogo proporcionou. Muitos duelos, bolas divididas e futebolistas a entrarem na bola como se um troféu estivesse em disputa e a devida tradição em surgirem zaragatas após lances mais divididos. Aos 27’, quando Marcus Edwards foi derrubado na área, houve discussões até Pedro Gonçalves marcar de penálti. Com bola, a equipa de Rúben Amorim fazia por arrancar espaços e explorá-los com contra-movimentos entre Rochinha, Edwards e Pote, o último a servir de avançado, tentando crescer em ataque organizado no campo italiano.

O empate surgiria por um auto-golo de Gonçalo Inácio (31’), feito com a mesma azarada cabeça que pouco demorou a virar sortuda quando, igualmente num canto, o central canhoto, por fim a jogar à esquerda do trio de defesas, marcaria (53’) o segundo do Sporting. Salvo um período com uns 10 minutos, pouco depois da quezília entre Porro e Zalewski, a Roma foi mais durinha a trincar os calcanhares dos leões do que efetiva a ligar jogo entre setores e a aproximar-se da baliza. Fê-lo só uma vez até a partida terminar.

Mancini levantou um passe longo para Abraham correr atrás, o avançado inglês evadiu uma tentativa precipitada de Coates em roubá-lo, arrancou e cruzou rasteiro, para trás, dando a bola que o capitão Pellegrini rematou de primeira e cheio de segurança na corrida para voltar a empatar (69’). Daí para diante os arrufos multiplicaram-se, ver jogadores às turras foi filme repetido, até entradas a roçar a agressão houve - Zaniolo, fosse este um jogo a sério, teria sido expulso em vez de substituído por José Mourinho para que se fosse resfriar - e o jogo assim rolou, rocambolesco, até ao fim: acabaria com 64 faltas, 44 feitas pelos romanos.

Calmos e serenos, às tantas, só Rúben Amorim e José Mourinho, filmados em cavaqueira e lado a lado, ambos de calções, t-shirt e de equipamento veraneante dos respetivos clubes. Entre os muitos segundos que se perdiam com qualquer falta, Ugarte acabaria por desarmar Cristante quando o italiano recebeu uma bola à entrada da sua área, completamente de costas para o adversário e sem olhar em redor, para o ressalto ir parar a Bruno Tabata. Dentro do retângulo, o brasileiro recebeu, rodou e rematou para o 3-2 final (86’). No final, o único interveniente do jogo que se dispôs a falar enalteceu “a pré-temporada bem conseguida” do Sporting.

Não sabendo nós o que vai dentro dos treinos, Matheus Reis terá a sua razão se reduzirmos a equipa fez ao que menos costuma importar nestes tempos em que se aquece o forno para a época que aí vem - cinco vitórias e três empates em oito jogos. Ainda tem três por fazer, contra Portimonense (20 de julho), Sevilha (24 de julho) e Wolverhampton (30 de julho).