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Dia de Reis

Vitória difícil (3-2) para o Sporting frente a um Portimonense que até começou a ganhar em Alvalade. Na 2.ª parte, a equipa de Rúben Amorim aumentou os níveis de intensidade e a expulsão de Pedro Sá veio trazer os espaços que os algarvios não tinham dado até então. Veio então à tona a importância da ação de um jogador: Matheus Reis, que não foi o único rei da noite. Paulinho fez os três golos do Sporting, que vê o clássico como líder isolado

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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O sistema base do Portimonense já fazia acreditar que o Sporting teria no último jogo do ano um berbicacho para resolver. E a estratégia que Paulo Sérgio apresentou em Alvalade só adensou essa mesma crença: a organização defensiva do Portimonense criou inúmeras dificuldades ao campeão nacional na 1.ª parte e só a subida de intensidade a seguir ao intervalo, a expulsão de Pedro Sá, a exibição estelar de Matheus Reis e o acerto de Paulinho viraram a história ao jogo.

A vitória por 3-2 coloca o Sporting no topo da tabela, pelo menos até ao clássico de quinta-feira e, mais que isso, é mais uma prova de certa gravitas desta equipa, da sua força coletiva e mental para sair de apertos que, no fundo, é do que são feitos os vencedores.

Mas, dizíamos, esse leão não apareceu na 1.ª parte, surpreendido talvez por um Portimonense a jogar com uma linha de seis na defesa, mais três à frente, que fecharam todos os caminhos para a baliza: nas alas, os poucos cruzamentos que Nuno Santos conseguiu direcionar, encontravam sempre um mar de amarelo na área e, pelo corredor central, o Portimonense tinha superioridade numérica, nunca permitindo as ações colabolativas entre Matheus Nunes e os três da frente.

Com bola, quando conseguia dar a volta à primeira zona de pressão do Sporting, o Portimonense tinha espaço para criar perigo, levado ao colo pelo poder físico de Canté e, essencialmente, pelo perfume que sai das botas de Nakajima, que parece outro jogador junto ao Rio Arade.

Foi do japonês, precisamente, o primeiro lance de perigo do jogo, um remate do meio da rua, pleno de intenção, medido milimetricamente, que Adan apenas conseguiu afastar, levando a bola à trave (10’). O golo do Portimonense não demoraria muito mais. Fali Candé arrancou, numa bola que apenas as costas de Ricardo Esgaio viram, correu pela esquerda e cruzou para a área. Aí, apareceu o corte infeliz de Matheus Reis, a fazer auto-golo (21').

O Sporting reagiu colocando mais velocidade e intensidade no seu jogo, mas os caminhos continuavam bem protegidos. Faltava, por isso, também a criatividade.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Criatividade essa que só apareceria na 2.ª parte. A equipa da casa entrou com tudo, em catadupa apareceram os lances na área do Portimonense, mas agora era o acerto que parecia ausente. Esgaio entrou mais no jogo ofensivo dos leões e subitamente começaram a aparecer alguns espaços, mas tanto o lateral como, depois, Paulinho, não se deram com a finalização.

O jogo berrava pela fantasia de Daniel Bragança e foi ele a primeira aposta de Rúben Amorim. E como num momento cósmico para os leões, poucos minutos depois Pedro Sá era expulso, depois de mais uma incursão de Matheus Reis, esta noite a jogar a central, por terrenos mais avançados, algo que estava a ser decisivo para o maior domínio do Sporting na 2.ª parte, com mais presença no miolo. A falta de Sá sobre o brasileiro valeu vermelho e a partir daí abriram-se bolhas de ar para o Sporting brincar.

Aos 65’ apareceu o empate: abertura de Bragança para Nuno Santos, que finalmente acertou um cruzamento, que encontrou Paulinho (que, a bem da verdade, talvez já não devesse estar em campo, após um pontapé à margem das leis num adversário na 1.ª parte), com o avançado a cabecear para a baliza.

Matheus Reis seria depois novamente essencial, aos 75’, ao arrancar até ao meio campo, dando mais presença nessa zona ao Sporting e servindo como uma espécie de cavalo de tróia para encontrar Nuno Santos na ala e descompensar o Portimonense. Pote respondeu ao cruzamento, a bola ressaltou e foi ter com Paulinho, que bisou.

Não contente, e numa fase em que os ataques do Sporting já saíam mais à medida da equipa metódica e de processos bem treinados que é, Paulinho ainda faria um hat-trick, o primeiro com a camisola do Sporting, numa jogada de insistência de Pote.

E assim, com um pouco de criatividade, de intensidade, com o devido arriscar que acabou por provocar a expulsão, o Sporting virou um jogo que chegou a parecer muito complicado.

O Portimonense, praticamente inexistente no ataque após o vermelho, ainda teria uma espécie de reação no final, com Renato Júnior a cabecear muito perto da baliza de Adan aos 90’ e Lucas Possignolo a marcar mesmo já perto do apito final, com o Sporting, assim, a levar com dois golos quando até agora só tinha sofrido cinco em 15 jornadas.

Mas, mais importante para o campeão nacional, será a 11.ª vitória consecutiva, feito que só tem comparação com a época 1990/91. E a tranquilidade de ver o clássico como líder, num adiantado Dia de Reis, de seus nomes Matheus e João Paulo.