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Carragher acha que Ten Hag foi “simpático com o petulante” Ronaldo: “Deveria dizer ao clube para facilitar a saída, para bem do United”

Tanto Jamie Carragher como Gary Neville, antigos capitães de Liverpool e Manchester United, respetivamente, criticam veementemente a atitude do capitão português e consideram que os red devils devem mostrar-lhe a porta de saída

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Matthew Ashton - AMA

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Duas antigas glórias da Premier League, um deles antigo companheiro de Cristiano Ronaldo no Manchester United, mostram-se críticas da atitude do português desde que começou a pré-época. As ausências de CR7 da digressão asiática, bem como as alegadas tentativas de forçar a saída do clube por querer jogar a Liga dos Campeões, não deixaram Jamie Carragher indiferente.

A lenda do rival Liverpool, habitual colunista no jornal “Telegraph”, escreveu, esta sexta-feira, críticas ferozes a Cristiano Ronaldo. O antigo defesa começa por aconselhar Erik ten Hag a ler a autobiografia de Sir Alex Ferguson, o histórico e mais bem-sucedido treinador do Manchester United. Isto se Fergie, que ainda mantém uma espécie de papel ativo como consultor não oficial no clube, não tiver dito o que pensa, de viva voz, ao atual treinador dos red devils.

“Qualquer adepto do United deveria ter sido encorajado pelo novo treinador a criticar publicamente a partida precoce de Ronaldo e de outros do jogo amigável com o Rayo Vallecano. (…) Ten Hag, antes do próximo jogo do United, tem de fazer estalar o chicote”, considera Carragher.

O técnico neerlandês considerou a atitude de CR7 “inaceitável”. Mas, para Carragher, isso é “ser simpático com o comportamento petulante” do português. “Ten Hag deveria ir mais além e dizer à administração para facilitar a partida de Ronaldo, numa transferência livre, para o bem do Manchester United. Não será um sinal de fraqueza mesmo que, em último caso, seja a vontade de Ronaldo”, escreveu o antigo internacional inglês.

Evocando palavras outrora ditas por Alex Ferguson, o antigo internacional inglês acrescentou: “Desde o seu regresso, Ronaldo tem sido tratado – e tem agido – como se fosse mais importante do que o treinador, e mesmo maior do que o Manchester United”.

O ex-futebolista arrisca: “O meu palpite é que, se ten Hag fizesse uma sondagem privada no seu plantel, a maioria dos jogadores do United não se importaria se ele – [Ronaldo] – saísse. A sua presença está a sufocá-los”.

A recente polémica em torno de Cristiano Ronaldo também não deixou Gary Neville indiferente. O defesa, capitão de equipa no tempo em que o português era uma promessa a concretizar-se rapidamente e Alex Ferguson um gigante dos bancos, considerou que o madeirense “anda a brincar” com o Manchester United.

O mais velho dos irmãos Neville mostrou-se desagradado com a forma como Ronaldo se tem comportado, mesmo tendo em conta tudo o que já alcançou – e ajudou a alcançar – na equipa de Old Trafford. "Ronaldo (…) ficará na história como um dos melhores jogadores de sempre e jamais será esquecido, aconteça o que acontecer este verão. Mas, para mim, é desagradável ver, como antigo capitão do United e como antigo jogador da primeira equipa, que o craque do plantel está a brincar”

Gary Neville recorreu à autobiografia de Sir Alex Ferguson para dar o exemplo: “No minuto em que um jogador do Manchester United pensar que é maior do que o treinador, tem de ir embora”. "Não podes ter a estrela da equipa a mandar na tua loja. Não podem tê-lo no plantel. Quando Sir Alex Ferguson transferia jogadores, era porque isso era, de facto, necessário. Bem sei que os adeptos do Manchester United querem que Ronaldo fique, mas se Ronaldo quer sair, então o United deve facilitar essa saída", opinou Neville.