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Abdusattórov tem 17 anos e venceu o Mundial de xadrez de partidas rápidas, fazendo Carlsen cair

O adolescente do Uzbequistão ganhou o desempate relâmpago — 1,5-0,5 — a Ian Niepómniashi. O norueguês Carlsen acabou por ficar com o bronze e uma cara de muito poucos amigos: estava a tentar replicar o feito de 2019, quando se sagrou campeão mundial em simultâneo das três variantes de xadrez

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Dean Mouhtaropoulos/Getty

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Aparentemente, há uma nova estrela no céu axadrezado. Nodirbek Abdusattórov tem apenas 17 anos e sagrou-se campeão do mundo de partidas rápidas, duas semanas depois de ganhar consecutivamente os torneios espanhóis de Llobregat e de Sitges. Após derrotar o atual número um, Magnus Carlsen, na 10.ª ronda, o adolescente fez cair o russo Ian Niepómniashi no desempate relâmpago.

Não se pode dizer que tenha sido um bom dia para Carlsen. O norueguês sentiu o quão difícil é manter-se no topo. Corria tudo bem, era líder isolado a faltarem quatro rondas para o fim do Mundial e, tendo em conta o seu rendimento nas últimas jornadas deste tipo de torneios, as hipóteses eram mais do que boas e a conservação da coroa tripla (xadrez clássico, rápido e relâmpago) estava bem encaminhada.

Depois, chegou Abdusattórov, um “miúdo” uzbeque, promissor desde criança, mas longe ainda da elite do xadrez e estragou o fim do ano ao dinamarquês.

GIUSEPPE CACACE/Getty

Defrontaram-se na 10.ª ronda e, segundo o “El País”, Carlsen começou cedo a construir uma vantagem “natural”. Entretanto, depois de algumas oportunidades falhadas, o norueguês começou a levar mais a sério o oponente com cara de miúdo e uma dureza imprópria da sua idade. Era tarde. O uzbeque foi responsável pela única derrota de Carlsen em todo o torneio.

Entretanto, nas meias-finais, houve ainda espaço e tempo para um encontro de adolescentes.

Abdusattórov teve a oportunidade de defrontar um jogador ainda mais novo do que ele. O indiano Dommaraju Gukesh, de 15 anos, ainda conseguiu assustar o uzbeque, mas Abdusattórov estava decidido a ser a sensação do torneio e acabaria por vencer. O futuro do xadrez parece estar bem entregue.