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Sérgio, o camaleão, e Taremi, o faz-tudo, prolongam o sorriso do FC Porto

Os campeões nacionais venceram (3-0) o Tondela e conquistaram a Supertaça Cândido de Oliveira, juntando-a à I Liga e à Taça já erguidas em 2022. Com várias baixas, o primeiro FC Porto versão 2022/23 apresentou-se com três avançados, juntando Danny Loader a Evanilson e Taremi, em mais uma mudança de registo do guião de Sérgio Conceição, que viu o iraniano brilhar

Pedro Barata

MIGUEL RIOPA/Getty

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Para o FC Porto, 2022/23 surge depois do êxito que foi a época passada, com o campeonato e a taça a atestarem a competência mostrada pela equipa. No entanto, a nova época aparece, também, como novo desafio à capacidade de adaptação de Sérgio Conceição. Depois de ter visto Luis Díaz — e Sérgio Oliveira e Corona — saírem em janeiro, o técnico perdeu Vitinha, Fábio Vieira e Francisco Conceição durante o verão, futebolistas que deram um registo mais técnico e criativo à formação portista — também Mbemba foi embora. Sem esses homens e também com castigados como Diogo Costa, David Carmo ou Otávio, a Supertaça era nova ocasião em que Conceição tinha de fazer valer a sua criatividade como treinador.

Não que o Tondela, recém-despromovido que está impedido de inscrever jogadores devido ao castigo decorrente do 'caso Khacef', seja oposição de alto nível ou que as opções do FC Porto sejam de escassa qualidade. Mas um técnico que está a começar a sua sexta campanha no banco da equipa tinha, uma vez mais, de baralhar para voltar a dar.

E assim foi. O primeiro jogo de 2022/23 trouxe nova fórmula para Sérgio Conceição, fiel à sua filosofia que dita que uma equipa de futebol se tem de adaptar constantemente aos futebolistas que tem, ao contexto, às possibilidades de cada momento, com poucas utopias. Sem centrocampistas mais criativos e guardando no banco as asas que são Galeno ou Veron, o FC Porto juntou no ataque Taremi, Evanilson e Danny Loader, num trio que caiu em cima da defesa dos beirões, que só se foi aguentando pelas defesas de Babacar Niasse.

O 3-0 final deu o oitavo título a Sérgio Conceição no comando técnico do FC Porto, o terceiro em 2022. É a 23.ª para o museu dos dragões.

DeFodi Images/Getty

O começo do jogo foi uma demonstração de força do FC Porto, que desde cedo quis deixar claro qual o conjunto mais forte. O Tondela, a viver meses conturbados — a descida, a impossibilidade de contratar, o carrossel de emoções entre a despromoção, a ida ao Jamor, o regresso à II Liga, a necessidade de retocar o plantel só com jovens da formação —, sentiu o abalo de estar a levar com um opositor que pareceu entrar em 2022/23 com o embalo de 2021/22, ainda que com algumas diferenças

Fazendo uso da forte presença que Taremi, Evanilson e Loader davam na área, o futebol portista foi mais direto, complementando com as subidas de João Mário pela direita. Pepê, atrás dos três atacantes, ia tentando ser uma espécie de às de trunfo, ora sendo mais ala, ora sendo mais médio de ligação.

Nos primeiros minutos, Loader, por duas vezes, Evanilson e Uribe estiveram perto de abrir o marcador. No entanto, nos beirões, Niasse iam sendo muralha impossível de superar.

O 1-0 chegou sem surpresa aos 30'. O FC Porto criou muitos problemas nos pontapés de canto e assim foi inaugurado o marcador. Após canto da esquerda, Evanilson penteiou ao primeiro poste e Taremi rematou no poste mais distante.

Taremi festeja o 1-0

Taremi festeja o 1-0

MIGUEL RIOPA/Getty

O avançado iraniano foi, aliás, a grande figura do jogo. Não só pelos dois golos que marcou, mas também porque parece estar a levar mais longe a sua evolução como jogador. Se na época passada já o vimos algumas vezes descair na esquerda para dar a Evanilson o centro do ataque, nesta Supertaça, com Loader também na dianteira, a sua inteligência de movimentos teve de ser ainda maior.

Taremi foi o ponta-de-lança goleador, mas também o atacante capaz de cair na ala ou onde fizesse falta para complementar os movimentos dos seus companheiros; foi assistente solidário, como aos 10' quando serviu Evanilson de cabeça — noutra situação em que Niasse defendeu —; foi esguio driblador, como sucedeu nos lances do segundo e terceiro golos, mostrando o seu leque de recursos.

Aos 33', o iraniano conduziu pelo centro do terreno, deixando adversários pelo caminho até ficar só com Niasse pela frente. O guardião do Tondela ainda defendeu a tentativa de Taremi, mas na recarga Evanilson foi o mais rápido, dobrando a vantagem dos campeões nacionais.

Com a equipa de Tozé Marreco sem resposta, Danny Loader ia mostrando a sua impetuosidade e vigor no ataque à baliza. O inglês não conseguiu bater Niasse, mas o seu futebol parece encaixar-se no que quer Conceição, sempre disposto a dar outros registos ao jogo do seu coletivo.

Danny Loader foi a grande novidade no onze do FC Porto

Danny Loader foi a grande novidade no onze do FC Porto

MIGUEL RIOPA/Getty

Na segunda parte, o Tondela equilibrou um pouco mais o duelo, aproximando-se de Marchesín, mas nunca ameaçando verdadeiramente um golo que fizesse os beirões discutirem o título. E seria mesmo o FC Porto a fixar o 3-0 final.

Aos 82', Taremi voltou a conduzir entre defesas do Tondela, aproveitando alguma passividade para chegar a zona de tiro e atirar para o golo. O iraniano que marca, cria, dribla, joga em diversas zonas e defende é o espelho do FC Porto camaleónico de Sérgio Conceição, com diferentes tonalidades segundo a situação, o contexto, o meio envolvente. É a garantia da adaptação ao cenário que é a constância deste ciclo de Sérgio Conceição, que pode ganhar ou não ganhar, mas está sempre na discussão dos títulos no plano interno.

Por falar em ganhar, os oito títulos de Conceição fazem-no igualar Artur Jorge como treinador mais titulado da história do FC Porto. Adaptando-se para vencer, o técnico dos azuis e brancos promete a fórmula de sempre para nova campanha.