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Neymara Carvalho pode ver a filha fazer história em Sintra. Nas mesmas ondas onde competiu grávida

A cinco vezes campeã mundial de bodyboard está de volta à Praia Grande, a mesma onde em 2005, para surpresa de muitos, competiu grávida. A brasileira vem de novo acompanhada pela filha Luna Hardman, que desta vez tem a hipótese de ser ela a sagrar-se campeã mundial da categoria de juniores

Rita Meireles

João Araújo

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Com cinco títulos mundiais, Neymara Carvalho é um dos nomes grandes do bodyboard, mas não foi só a levantar troféus que fez história na modalidade. Em 2005, numa altura bastante positiva da carreira, apanhou um susto: "Na hora, a minha cabeça foi para os patrocínios que eu tinha acabado de fechar. Não bastasse o susto de ficar grávida 'sem querer', eu precisava avisar meus patrocinadores e talvez essa atitude atrapalhasse minha carreira", contou à revista “Tpm” seis anos mais tarde.

Já mais tranquila, a brasileira acabou por surpreender o mundo quando, grávida, decidiu competir no Sintra Portugal Pro, na Praia Grande. Na altura tinha dois títulos mundiais, o que deixa claro que a sua carreira não só não parou, como continuou em sentido crescente após a maternidade.

Dezassete anos depois, numa espécie de regresso ao passado, Neymara volta a Sintra para a 26ª edição da etapa portuguesa do Circuito Mundial. O que torna o momento tão especial não é a possibilidade de ser campeã pela sexta vez, uma vez que o título já foi conquistado por Isabela Sousa, mas sim o facto de Luna Hardman, a filha, ter feito a viagem consigo novamente. E desta vez pode ser ela, aos 16 anos, a vencer o seu primeiro troféu mundial, na categoria Pro Junior feminina.

“É muito especial. Tenho grandes recordações de vitórias e títulos mundiais nesta praia, e estar aqui a acompanhar a minha filha a dar os primeiros passos na construção de uma carreira, disputando o seu primeiro título mundial é incrível. Nunca imaginei isso”, disse a atleta de 46 anos.

Na memória tem ainda os dias em que competiu com Luna na barriga, garantindo que sabia perfeitamente o que estava a fazer e até onde podia ir graças ao acompanhamento médico.

“Competi aqui grávida com 5 meses, mas estava bem orientada pela minha médica. Já contei essa história à minha filha e lembro-me muito bem que, na altura, escrevi o nome dela na prancha e focava no prazer e amor que tenho nesse desporto. Hoje estou aqui lutando pelo vice-campeonato”, continuou.

Na luta pelo título mundial de juniores estão duas brasileiras, Luna e Isabelli Nunes. Os nervos podem até estar presentes no que à competição diz respeito, mas, por outro lado, o facto de ser filha de uma super campeã do bodyboard não coloca Luna numa posição de maior pressão. Aliás, o que realmente a deixa nervosa é ver a mãe dentro de água.

“Nada de isso. Fico muito feliz de estar buscando o meu próprio caminho e conhecer, agora conhecer mesmo, pela primeira vez, sem estar na barriga da mãe, este lugar onde ela tem tantas histórias. Vamos em busca do título, mas sem pressão. A minha mãe é uma inspiração, um espelho. Fico nervosa a vê-la competir e sei que ela é a melhor. Tê-la dentro de casa é ter uma mestra cheia de dicas valiosas”, disse Luna.

O Sintra Portugal Pro decorre até ao próximo domingo, em Sintra. Na categoria feminina estão em prova três nomes que não são nada estranhos aos adeptos portugueses: Mariana Rosa, Joana Schenker e Teresa Padrela.