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Pimenta e o lindo processo de sofrimento (uma manhã de treino com um vencedor em série)

Dez anos depois da prata nos Jogos Olímpicos de Londres, o limiano continua a treinar sete dias por semana e a encontrar beleza no sacrifício. E não pára de somar medalhas

Lídia Paralta Gomes e Nuno Botelho

NUNO BOTELHO

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São nove da manhã e o Centro Náutico de Montemor-o-Velho começa a encher-se de gente. Parece fresco, mas o sol está inclemente para os atletas que daqui a nada estarão a fazer idas e voltas naquelas pistas de água, de pagaia na mão, em movimentos orquestrados. Um-dois, um-dois. Os olhos guerreiam para abrir completamente: muitos dos que aqui estão ainda há 48 horas aterravam de Halifax, mesmo ali onde acaba o Atlântico e começa o Canadá e cidade que recebeu os Mundiais de Canoagem. O mais medalhado de todos — e há ali portugueses, polacos e argentinos — é Fernando Pimenta.

Pimenta está em estágio na vila do distrito de Coimbra porque não falta muito para os Campeonatos da Europa (arrancaram ontem em Munique), que por estes dias recebe um verdadeiro festival de desporto, com vários Europeus de uma série de modalidades a realizarem-se em simultâneo. Para a canoagem, é uma novidade estas escassas duas semanas que separam as duas principais competições do ano. Entre o avião pousar em Portugal e o regresso ao trabalho foram meras 24 horas. “Deu para ir a casa almoçar”, comenta Hélio Lucas, o treinador que acompanha o homem de Ponte de Lima vai para 20 anos. Para Pimenta também foi “deixar a mala da prova e trazer um saco novo para o estágio”, aqui em Montemor-o-Velho. No Canadá, Fernando Pimenta atirou-se a quatro provas, quando normalmente se ficava pelo olímpico K1 1000 e pelo K1 5000. Trouxe duas pratas e um bronze. Na prova mais longa, um problema no leme obrigou-o a desistir quando seguia isolado para o título mundial. Foram cinco dias seguidos a competir, “com maior desgaste e cansaço” que o habitual, e ainda há o jet lag. “Estou aqui a sentir bastante as mazelas”, confessa-nos.