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As últimas da LIV Golf: a ligação a Donald Trump, o dinheiro da Arábia Saudita, os bilhetes quase dados e as críticas do público

A liga alternativa à PGA Tour vai estar este fim de semana no campo do antigo presidente norte-americano, em New Jersey. Continuam a chover críticas, particularmente de familiares das vítimas do 11 de setembro

Carlos Luís Ramalhão

Cliff Hawkins/Getty

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A controvérsia a envolver a LIV Golf, projeto que pretende rivalizar com a PGA Tour, continua a alimentar uma verdadeira guerra, mais ainda quando se aproxima o terceiro evento da liga financiada pela Arábia Saudita. Este fim de semana, o campo do antigo presidente norte-americano Donald Trump, em Bedminster, New Jersey, vai receber nomes como Phil Mickelson, Dustin Johnson ou Bryson DeChambeau.

Prémios de 25 milhões de dólares ou assinaturas a valer nove algarismos terão sido decisivos para que alguns dos maiores golfistas da atualidade tenham virado as costas à tradicional PGA. A LIV Golf tem sido notícia pelos seus números e pelas palavras alheias, habitualmente críticas, em relação ao projeto e à sua origem. O governo saudita, cujo dinheiro financia a organização, tem sido acusado de tentar lavar a imagem do país. O registo no que diz respeito aos direitos humanos deixará muito a desejar. Ligações ao 11 de setembro, repressão dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQ+, além do homicídio do jornalista Jamal Khashoggi, são vulgarmente referidas.

O jornal inglês “The Guardian” refere que a LIV providencia também uma oportunidade de luxo para o regresso de Donald Trump aos negócios do golfe, o que poderá conferir-lhe a tão desejada imagem de grande impulsionador do desporto, vital aos olhos do grande público americano.

O homem que quer fazer do golfe grande novamente sempre privilegiou o desporto como uma parte inextricável da “American way of life”, a forma como os cidadãos americanos vivem, tão cultivada na cultura popular. Trump chegou a ter uma equipa de futebol americano nos anos 80 do século passado e financiou uma alternativa dos EUA à Volta a França, previsivelmente chamada “Tour de Trump”. Na década passada, o futuro presidente tentou comprar os Buffalo Bills, da NFL, mas falhou.

Dias depois do ataque ao Capitólio, alegadamente instigado pelo então ainda líder dos Estados Unidos, a PGA anunciou a retirada de Bedminster do Campeonato Americano de 2022. Para Trump, terá sido um golpe equivalente àquele de que continua a afirmar ter sido vítima nas eleições ganhas por Joe Biden. Na última quarta-feira, o republicano fez questão de ser visto na gala de boas-vindas à LIV, em Manhattan. Trump tem incentivado ativamente os golfistas a mudar para o projeto de origem saudita, referindo “a muito desleal PGA”.

Tempos houve em que este casamento de conveniência teria sido considerado improvável. Durante a campanha de 2016, Trump chegou a acusar a Arábia Saudita de estar envolvida nos ataques de 2001 ao World Trade Center. No entanto, mal tomou posse, o multimilionário aproximou-se do país árabe, tendo chegado a apoiar a negação de envolvimento do príncipe Mohammed bin Salman no homicídio do jornalista Khashoggi, indo contra a posição das secretas dos EUA.

Não são claros os benefícios da empresa de Trump com a organização do evento da LIV Golf, este fim de semana. Para já, a prova enfrentou os protestos de familiares das vítimas do 11 de setembro, que consideraram o local “o pior do mundo”.

Para já, a competição de Bedminster não terá transmissão televisiva, tendo os direitos sido cedidos ao YouTube. Os bilhetes diários, postos à venda a 75 dólares, estão disponíveis no mercado secundário a três dólares, de acordo com o “The Guardian”. Em outubro, outro clube detido pelo ex-participante de reality shows, desta vez em Miami, receberá uma nova prova da mesma organização.