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Patrícia Mamona 8.ª na final do triplo dos Mundiais, depois de uma lesão nas costas: “Até domingo nem sabia se conseguia saltar”

Vice-campeã olímpica repetiu o resultado de Doha2019, depois de se qualificar em sofrimento devido a uma lesão nas costas sofrida durante o aquecimento. Com cuidados médicos, competiu na final, onde saltou 14,29 metros. A venezuelana Yulimar Rojas revalidou o título mundial, que junta ao olímpico

Lusa

Robert Ghement/Getty

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A portuguesa Patrícia Mamona terminou no oitavo lugar a competição do triplo salto dos campeonatos do mundo de atletismo, vencida pela venezuelana Yulimar Rojas, que revalidou o título mundial e juntou-o ao olímpico.

Em Eugene, nos Estados Unidos, Patrícia Mamona, medalha de prata em Tóquio2020, atrás de Rojas, terminou a prova de segunda-feira com os 14,29 metros alcançados no seu quinto salto, em igualdade com a jamaicana Kimberly Williams, sétima classificada.

Yulimar Rojas, recordista mundial, voltou a dominar o concurso, ao saltar 15,47, a melhor marca do ano, impondo-se à jamaicana Shanieka Ricketts e à norte-americana Tori Franklin, segunda e terceira classificadas, com 14,89 e 14,72, respetivamente.

Depois de ter superado a qualificação em sofrimento, devido a dores nas costas, Mamona, campeã da Europa ao ar livre em 2016 e ‘indoor’ em 2021, repetiu o oitavo lugar alcançado em Doha2019, na sua quinta presença em mundiais.

A atleta do Sporting tinha chegado a Eugene2022 com a 14.ª marca do ano (14,42 metros), alcançada em março, nos Mundiais em pista coberta, nos quais ficou no sexto lugar.

"Não podia pedir muito mais"

Patrícia Mamona admitiu que não podia pedir mais na final do triplo salto. "Com a adrenalina esqueci-me um pouco das dores e pensei que tinha de saltar muito, mas mostrou-se que a forma não estava no pico. Estranhamente, não estando na melhor forma, igualei a minha melhor classificação, por isso, quando estiver a 100% espero conseguir melhor", afirmou Mamona.

O otimismo para o futuro contrastou com o pragmatismo na avaliação da final e da sua participação em Eugene2022, com a lesão sofrida no aquecimento para a qualificação, no sábado, e a recuperação 'milagrosa'.

"Os médicos fizeram milagres, porque até ontem [no domingo] à noite não sabia se conseguia saltar. Nem me conseguia mexer. Hoje [na segunda-feira] de manhã acordei muito melhor, voltei a trabalhar com a equipa médica e conseguiram colocar-me em condições para saltar. Passei à final, também um bocadinho à rasca, mas não podia pedir muito mais", reconheceu.

Mamona avançou para os três últimos saltos no oitavo lugar, melhorando duas posições relativamente à qualificação, ultrapassando a ucraniana Maryna Bekh-Romanchuk e a dominicana Ana Lucia Jose Lima, que tinham sido segundas e terceiras, com 14,54 e 14,52, e na final não foram além do 10.º e do 11.º lugares, respetivamente.

A portuguesa terminou em igualdade com a jamaicana Kimberly Williams, sétima classificada, e ficou muito aquém do seu recorde nacional (15,01), que lhe valeu a prata em Tóquio2020, atrás de Rojas, e também da sua melhor marca do ano (14,42 metros), alcançada em março, nos Mundiais em pista coberta, nos quais ficou em sexto.

"Obviamente, uma pessoa acredita sempre, porque há sempre a esperança de fazer um grande salto. Mas, sinceramente, acho que é merecido, porque a minha época foi muito má, com muitas lesões, mas isso faz parte do desporto. Ainda por cima depois de um ano olímpico, que foi maravilhoso. Hoje, até ao final, acreditei que era possível, mas não saiu. Estou muito apática, acho que estou feliz porque a equipa médica fez o que eu temi que não fosse capaz e tenho de pensar no que vem para a frente", referiu.

Mamona, campeã da Europa ao ar livre em 2016 e em pista coberta em 2021, não desistiu da temporada e apontou já aos Europeus, a disputar entre 15 e 25 de agosto, em Munique, na Alemanha.

"Tenho de recuperar, com mais calma, ainda há Munique e para o ano há dois Mundiais [em pista coberta e ao ar livre, novamente]", realçou.

Mamona admitiu que o resultado de Eugene2022 "é um ponto baixo", mas disse estar entusiasmada porque, "quando há um baixo, há um alto".

O momento negativo foi agravado pela lesão contraída na qualificação, que se juntou a uma outra, que a deixou em dúvida para competir no estádio Hayward Field.

"Eu ontem não conseguia fazer um 'sim'. Já tive algo parecido e demorou dias para passar, mas acho que a adrenalina ajudou a esquecer as dores. Eu, desde junho, em Rabat, tenho uma lesão no glúteo, que me tem impedido de correr, mas eu achava que ia conseguir, só que, no aquecimento, tive o problema nas costas, que bloquearam completamente. Até à câmara de chamada não sabia se ia conseguir correr, mas comecei a ver as atletas e decidi: vou matar-me mesmo aqui. Passei à final, de forma apertada, mas fiquei um caos depois da prova, nem conseguia pegar na mochila", recordou.