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Golfe. Cameron Smith, o pescador que surgiu de repente para vencer o British Open de forma espetacular

O australiano de 28 anos, fã de pesca, bateu o favorito Rory McIlroy e arrecadou o troféu da 150ª edição da prova britânica, no carismático circuito de golfe de St. Andrews, na Escócia

Carlos Luís Ramalhão

Stuart Franklin/R&A/Getty

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Cameron Smith, de 28 anos, venceu de forma espetacular o British Open, realizado naquela que é considerada a capital do golfe, St. Andrews, na Escócia. O australiano bateu o grande favorito Rory McIlroy.

Smith fez o seu caminho de forma discreta, não assustando ninguém até ao momento decisivo. Chegou à última ronda a quatro pancadas da liderança. Pelo contrário, McIlroy, muito apoiado pelo público, tinha feito 66-68-66 nas rondas anteriores, o que engordava ainda mais as suas hipóteses de vitória no torneio.

Diz o “USA Today” que a grande arma de Cameron Smith foi o seu putter. Pouco assustado pelos troféus no museu de McIlroy, 50 anos após o compatriota Ken Nagle ter batido o favorito Arnold Palmer na edição 100 do torneio, Smith foi buscar a taça às terras do Norte.

Birdies de 1.50 metros no 10º, 6 no 11º, 3.66 no 12º, 5.50 no 13º e um tap-in para um two-putt no 14º, a mais de 30 metros, foram as marcas decisivas que puseram o australiano na liderança. O seu maior putt, no entanto, surgiu no Road Hole, o mais duro do percurso. Depois de a sua bola ter parado antes do famoso Road Hole Bunker, Smith fez um par e conseguiu, dessa forma, manter-se como líder.

O fã de pesca tem agora seis títulos da PGA Tour e dois Campeonatos PGA da Austrália, na DP World Tour. Quanto a McIlroy, não estará naturalmente satisfeito. De acordo com o jornal norte-americano, o irlandês tinha dito que uma vitória em St. Andrews este ano seria o seu Santo Graal, para acabar com uma seca de oito anos nas principais provas.

Apesar de não ser favorito, o vencedor do British Open tem, aos 28 anos, um número considerável de triunfos na PGA Tour. Atualmente, Cameron Smith ocupa o sexto lugar do ranking mundial. O natural de Brisbane iniciou-se no golfe graças ao pai, Des, que praticava o desporto sem grandes aspirações, num clube da região. Em 2004, Grant Field, um dos mais prestigiados treinadores de golfe da Austrália, tomou conta do promissor Cameron, dono por estes dias de um cabelo e um bigode invulgares, que nos remetem para os anos 80.

Segundo a “Golf Digest”, aos 12 anos, Des Smith percebeu que o filho “podia ter uma carreira no golfe”, depois de este o ter batido pela primeira vez. Em 2009, Cameron venceu o Handa Junior Masters e, em 2011, juntou outros três títulos júnior ao seu palmarés crescente. Seis anos mais tarde, o australiano de aparência frágil continuava a impressionar, terminando o US Open no top quatro, qualificando-se automaticamente para os Masters de 2016. A primeira vitória na PGA Tour surgiria um ano mais tarde, ao lado de Jonas Blixt, no Clássico de Nova Orleães.

Cameron Smith vive atualmente em Jacksonville, na Flórida, onde alimenta duas das suas paixões, para além do golfe. À Fox Sports, Smith disse: “Sinto que pescar e conduzir são, para mim, os ‘sítios’ que me permitem viajar, desligar o telefone e desfrutar da paz”.

A questão LIV

Já depois da vitória no Open, Cameron foi questionado acerca da controvérsia gerada pela LIV Golf, a rival da PGA Tour que é financiada por dinheiro saudita. Muitos nomes grandes da modalidade já deixaram o circuito tradicional, optando pelos petrodólares da LIV.

O golfista australiano não foi claro quanto às suas opções futuras: “Não sei. A minha equipa é que se preocupa com essas coisas. Estou aqui para ganhar torneios”. Smith acrescentou ainda, algo incomodado com a questão: “Acabei de ganhar o Open e estás a perguntar-me isso. Acho que não é bonito”.