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A alma da Juventus é defensiva? Antonio Gagliardi, adjunto de Pirlo em Turim e Mancini no Europeu, explica

Em entrevista à Tribuna Expresso, Antonio Gagliardi refletiu sobre a matéria que compõe a Juve, o próximo adversário do Sporting nos quartos de final da Liga Europa (quinta-feira, 20h, SIC). Cultura, mentalidade, ética de trabalho, Cristiano Ronaldo, Andrea Pirlo, Maurizio Sarri e a ideia de jogo de Marcello Lippi, que não foi assim há tanto tempo e que hoje é um mero rumor, foram alguns dos temas. Por que razão, apesar da história interminável e colossal em títulos, a Juve é mais defensiva?

Hugo Tavares da Silva

Daniele Badolato - Juventus FC

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A conversa encaminhou-se para o fim sacudida por uma gargalhada ruidosa com sotaque italiano, abafando a cantoria agradável dos passarinhos com morada fiscal em Roma. Aquele bloco sonoro que lhe saiu da garganta deveu-se à história de um insulto à Juventus na parede de um restaurante nos subúrbios de Lisboa, a pouco mais de 2.000 quilómetros de Turim, mas já lá vamos. Antonio Gagliardi tem um longo percurso na federação italiana, um espaço mítico onde ajudou a seleção nacional a conquistar o último Campeonato da Europa, no Estádio de Wembley, e fez parte da equipa técnica de Andrea Pirlo na Juventus, em 2020/21.

Esta temporada ainda emprestou por alguns meses a sua sabedoria na análise do jogo ao ex-futebolista, hoje treinador no Karagumruk da Turquia, que era lento a mover-se no campo como provavelmente são as mais belas coisas da vida. Mas um “pequeno problema” de saúde da segunda filha ditou o afastamento dos relvados. O italiano, de 39 anos, permanecerá em Roma para tratar de ser um marido e pai mais presente. Será analista tático na “DAZN” e mantém o vínculo com a federação do país para dar formação a treinadores. Não está preocupado com o futuro. Os contactos no telefone são muitos e o currículo não está nada mal, diz, com outras palavras, em alusão a um regresso ao futebol.

Com 38 títulos nacionais, 14 Taças de Itália, duas Taças/Ligas dos Campeões, duas Intercontinentais, a Juventus é o próximo adversário do Sporting nos quartos de final da Liga Europa, uma competição que os italianos venceram em três ocasiões (1977, 1990, 1993). Curiosamente, na última vez, o clube de Turim, na altura treinado por Giovanni Trapattoni, também defrontou um emblema lisboeta. Se, na primeira mão, Vítor Paneira bisou e o Benfica bateu os gigantes de Itália por 2-1, na segunda mão (e fica o aviso), no Stadio delle Alpi, um redondo 3-0 marcou as diferenças e permitiu à rapaziada que levitava sobre a nuvem mágica do número 10, um senhor chamado Roberto Baggio, seguir para as meias-finais.

Esta Juventus já não é como a Juventus de antigamente. “Nos últimos 10 anos tiveram uma cultura específica, uma boa cultura de ética de trabalho, de disciplina, mas, quanto ao modo de jogar, vive antes que tudo uma fase defensiva com muito, muito bom estilo posicional defensivo”, reflete Gagliardi. “Há 10 anos, com Buffon, Bonucci, Chiellini e Barzagli, mas agora também está presente o posicionamento defensivo muito bom. A Juventus é uma das melhores defesas do campeonato.”

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