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FIFA aprova o fora de jogo semiautomático para o Mundial do Catar 2022

A nova tecnologia é alegadamente mais rápida e precisa na tomada de decisões do que o atual sistema de vídeo-arbitragem, conhecido como VAR, fornecendo aos árbitros alertas automáticos de fora de jogo

Expresso

PAUL ELLIS

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A FIFA aprovou a utilização do fora de jogo semiautomático no Mundial do Catar 2022. A nova tecnologia, alegadamente mais rápida e precisa do que o atual sistema VAR, fornece aos árbitros alertas automáticos no momento da decisão. Segundo o organismo máximo do futebol mundial, "o sistema de animação 3D melhora também a comunicação com os espectadores”.

De acordo com o “El País”, a tecnologia foi testada com êxito na Taça Árabe e no último Mundial de Clubes, disputado nos Emirados Árabes Unidos. A intenção original da FIFA já era introduzir o sistema no Campeonato do Mundo do Catar.

A ferramenta permite calcular com precisão o momento do passe e a posição dos avançados e dos defesas. São utilizadas câmaras, que seguem a bola e os jogadores. Dez delas dedicam-se exclusivamente à geolocalização. Os aparelhos foram instalados nas coberturas dos estádios que receberam o Mundial de Clubes. Os dados, recolhidos 50 vezes por segundo, são transmitidos ao assistente do vídeo-árbitro, dedicado especificamente às decisões de fora de jogo. O processo decorre em tempo real, o que facilita o julgamento em poucos segundos.

Desde que o VAR foi implementado, têm-se sucedido situações em que a decisão final demora minutos. Pierluigi Collina, atual diretor de arbitragem da FIFA, afirmou em fevereiro, durante uma demonstração do novo sistema: “Sabemos que não é fácil ser rápido e preciso. Foi por isso que pensámos numa tecnologia que pudesse tornar as decisões mais precisas e mais rápidas”.

Uma das vantagens do projeto é permitir delimitar o local exato das extremidades. “Sabemos onde estão o ombro ou o joelho, por exemplo. Para além disso, apontando esses dados, podemos criar animações em 3D que conseguem explicar perfeitamente se um jogador estava em fora de jogo e que parte do seu corpo estava adiantada. Isso ver-se-á na televisão e nos ecrãs dos estádios”, explicou o responsável pela tecnologia no futebol da FIFA, Sebastian Runge.

O “El País” refere a intranquilidade gerada pela nova tecnologia no seio das equipas de arbitragem, principalmente entre os auxiliares, que viram no sistema uma ameaça à sua continuidade. “Sei que alguém lhe chamou ‘fora de jogo robô’ e não é isso. Os árbitros e os auxiliares continuam a ser responsáveis pelas decisões no terreno de jogo. A tecnologia apenas lhes fornece um apoio valioso para que decidam mais precisa e rapidamente, sobretudo porque o fora de jogo é muito particular e muito difícil [de julgar]”, disse Pierluigi Collina.