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Da estigmatização aos “mitos”: uma viagem ao mundo dos canhotos

Um ano depois da morte de Maradona, o esquerdino que se disfarçou de “dios”, mergulhamos num universo que viajou do preconceito do passado para a idealização do futebol do presente, falando com futebolistas canhotos no ativo, treinadores e neurocientistas sobre as particularidades de ser esquerdino

Pedro Barata

Jean-Yves Ruszniewski/Getty

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“Maradona vinha cometendo há vários anos o pecado de ser o melhor, o delito de denunciar a viva voz as coisas que o poder manda calar e o crime de jogar com a canhota, o que, segundo o ‘Pequeno Larousse Ilustrado’, significa “com a esquerda” e também “ao contrário do que se deve fazer”.

Em “Futebol ao Sol e à Sombra”, Eduardo Galeano deleita-nos com os seus textos sobre o jogo que amava, ou não se descrevesse ele como “um mendigo do bom futebol”, que viajava “de chapéu na mão” suplicando por “uma linda jogada". Nas palavras que dedica a Diego Armando Maradona, o uruguaio destaca o pé esquerdo do argentino, a parte do corpo que o diez transformou em extensão da bola, de tão intimamente a tratar. Mas o escritor aponta também para o lado quase proibitivo de jogar com a canhota, recordando a existência de uma longa tradição de preconceitos em torno dos esquerdinos.

A 25 de novembro, fez um ano que Maradona, um homem que há muito parecia viver numa espécie de dimensão dos imortais, morreu. E, por ocasião do falecimento do “mais humano dos deuses” - voltando a pedir palavras emprestadas a Galeano - falámos com jogadores, treinadores e neurocientistas para entender as razões por detrás da aura mítica que rodeia os esquerdinos no universo do futebol, associando-os ao talento ou à criatividade, numa tendência totalmente oposta à que, durante tantos séculos, os estigmatizou.

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