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A 10 dias da final da Libertadores e depois de 85 jogos em 2021, Abel justifica opções: “Não faço milagres, temos um plano e vamos segui-lo”

Após a derrota caseira contra o São Paulo, alguns adeptos criticaram o 11 de segundas linhas no clássico. O treinador do Palmeiras, que ainda tem dois jogos no Brasileirão até dia 27, pede paciência e recorda o passado recente: "Têm de acreditar no que estamos a fazer. Há um ano ninguém tinha esperança nesta equipa e ganhámos dois grandes títulos"

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Alexandre Schneider

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À falta de 10 dias para a final da Copa Libertadores, Abel Ferreira e o seu Palmeiras tinham pela frente ainda três jogos no Brasileirão. Por isso, o treinador optou por apostar em segundas linhas para o Palmeiras-São Paulo, na noite de quarta-feira. Para além dessa decisão, a derrota caseira (0-2), com o estádio bem composto (maior enchente desde outubro de 2019), deixou alguns adeptos do Verdão insatisfeitos.

A razão dessa insatisfação é fácil de resumir. Aquele clássico, que por si só era uma razão para ter o orgulho em causa, podia ajudar a empurrar o São Paulo para a zona despromoção, um clube órfão de Hernán Crespo e que agora é treinado pela lenda Rogério Ceni. E se de um lado havia esse irracional apaixonado do adepto, do outro havia um português a olhar pelas pernas e pela fadiga mental dos seus atletas.

Afinal, são já 66 jogos disputados nesta temporada. Ou 85, se pensarmos em 2021. Desde que chegou ao Palmeiras, em novembro de 2020, Abel Ferreira e o staff prepararam e jogaram 104 jogos. “É loucura! É loucura!”, desabafou o português, após o clássico com o São Paulo.

“Eu sou pago para tomar decisões, sei há quanto tempo estou aqui, o que nos trouxe até aqui e o elenco que tenho. Podem ter certeza absoluta: temos um plano e vamos segui-lo até ao fim, aconteça o que acontecer”, disse na conferência de imprensa, aqui citado pelo “Globo Esporte”, quando lhe pediram para se justificar perante a insatisfação da torcida.

Alexandre Schneider

E continuou: “Têm de acreditar no que estamos a fazer. Há um ano ninguém tinha esperança nesta equipa e ganhámos dois grandes títulos [Libertadores e Copa do Brasil], quando não davam nada por estes jogadores”.

Queixando-se do assoberbado e exigente calendário do futebol brasileiro, com jogos no horizonte contra Fortaleza (sábado) e o líder Atlético Mineiro (terça-feira), Abel Ferreira mostrou-se conformado e ciente das necessidades da equipa, agora que sonha com a conquista da segunda Libertadores consecutiva.

“Temos um calendário de jogos seguidos e não faço milagres, não há magia. Da forma como está organizado o calendário, não há milagres. Sou pago para tomar decisões e sou eu que assumo a responsabilidade das minhas decisões", disse.

Com poucas chances de lutar pelo Brasileirão e com o apuramento para a competição mais importante bem encaminhado (top-4), segue-se a final da Libertadores contra o Flamengo de Renato Gaúcho, no dia 27 de novembro. Na temporada anterior, o Verdão conquistou a Libertadores, no Maracanã, na final contra o Santos.

Sobre a abordagem que está a definir a sua linha de atuação, Abel justificou-se olhando para trás e para a alegria alheia. “Foi isto que deu alegria aos nossos adeptos, 21 anos depois [na Libertadores]. Eu e estes jogadores, este grupo é o mesmo, regressaram só jogadores que estavam emprestados. Temos um plano e vamos segui-lo até ao fim.”