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Euro feminino. A experiente Alemanha contra uma Inglaterra à procura da primeira glória. Em Wembley joga-se uma final histórica

Tiveram um percurso semelhante (e perfeito) na fase de grupos, mas na fase a eliminar apareceram as dificuldades. Mas não é fácil atribuir favoritismo à Alemanha ou à Inglaterra na final do Euro 2022. Entre a experiência de quem já ganhou oito vezes a competição e o fator casa que tem empurrado as inglesas para grandes resultados, algo vai pesar mais na final deste domingo (17h, canal 11)

Rita Meireles

Soccrates Images/Getty

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A final do Euro 2022 prepara-se para fazer história. Os adeptos responderam à chamada e esgotaram os bilhetes para o jogo que coloca frente a frente a anfitriã do torneio e a seleção com mais sucessos na história da competição. Com uma capacidade para cerca de 87 mil pessoas, o estádio de Wembley terá um número recorde de espectadores numa final de um Europeu.

A Alemanha já se sagrou campeã por oito vezes, incluindo a esmagadora vitória por 6-2 contra a Inglaterra em 2009. Já a seleção da casa continua em busca do seu primeiro título num Europeu. Por um lado, apenas este dado já consegue colocar as duas seleções em diferentes patamares, mas nos últimos anos o poderio de ambas colocou-se em igualdade. Apenas dois dos 27 encontros entre as duas seleções foram ganhos pela Inglaterra, mas uma dessas vitórias foi recente, como que uma prova da enorme evolução da equipa na última década: um 3-1 num jogo particular em fevereiro.

Esse equilíbrio sentiu-se também na fase de grupos do torneio. No Grupo A, a Inglaterra teve pela frente a Áustria, Noruega e Irlanda do Norte. Foram três vitórias, com 14 golos marcados e nenhum sofrido, com destaque para a goleada por 8-0 à Noruega. Já a Alemanha ficou no grupo da morte deste ano, com Espanha, Dinamarca e Finlândia. O percurso foi tão parecido quanto perfeito: três vitórias, nove golos marcados e zero sofridos.

Nos ‘quartos’, a Inglaterra encontrou a Espanha, uma das seleções que a maioria colocava na final da competição, e venceu por 2-1 já no prolongamento. Foi este o jogo que deixou clara a capacidade da seleção britânica de ir à luta, mesmo quando a posse de bola é superior do lado das adversárias. Já a Alemanha venceu a Áustria, que ainda conseguiu contrariar o favoritismo das alemãs nos primeiros minutos da partida. Pelo menos até ao golo de Lina Magull, ao minuto 25.

Por fim, as meias-finais. Aqui foi a vez da Inglaterra respirar, com um 4-0 contra a Suécia. Para a Alemanha foi um pouco mais complicado. Contra a França, foram dois golos de Alexandra Popp que carimbaram a passagem para a final (2-1).

DeFodi Images

E se nenhuma destas informações confirmou que esta final pode efetivamente cair para qualquer um dos lados, Alexandra Popp e Beth Mead explicam-no. A disputar um título à parte, a jogadora alemã e inglesa, respetivamente, chegam à final com seis golos cada. O último jogo servirá também para decidir qual das duas leva a taça.

Mead, do Arsenal, marcou o primeiro golo da competição, decisivo na vitória frente à Áustria. Ainda na fase de grupos, assinou um hat-tick no jogo em que Inglaterra venceu a Noruega de Ada Hegerberg, vencedora da Bola de Ouro em 2018. São golos que a jogadora com certeza não vai esquecer, mas Popp tem ainda mais motivos para celebrar. Desde a sua estreia pela seleção, em 2010, este foi o primeiro Europeu em que a jogadora do Wolfsburg conseguiu marcar presença, aos 31 anos. Em 2013 e 2017 o azar bateu-lhe à porta e falhou os torneios devido a lesões.

Está principalmente nos pés destas duas jogadoras as esperanças dos seus países.

Robbie Jay Barratt - AMA

Sarina Wiegman espera que a sua equipa seja capaz de mostrar o talento e caráter que a tem caracterizado ao longo do Euro que, mesmo antes da final, é já o melhor de sempre em termos de resultados para a seleção inglesa. Caso o consigam fazer, serão a segunda anfitriã seguida a vencer o Campeonato da Europa Feminino em casa. Aliás, o fator casa é provavelmente um dos que mais pesa quando o favoritismo é atribuído à Inglaterra.

Já a Alemanha de Martina Voss-Tecklenburg chega à final para reclamar o título que não conseguiu vencer na edição anterior, depois de ganhar durante seis edições seguidas. A intensa pressão e uma defesa invejável são dois dos pontos que diferenciam esta equipa.

Numa final em que tudo pode acontecer, é impossível não realçar aquilo que este Europeu realmente significa. Com números recordes de assistência nos estádios e pela televisão, é caso para dizer que, ganhe quem ganhar, haverá também um antes e um depois do Euro 2022 no futebol feminino europeu. Tudo para confirmar este domingo, a partir das 17 horas.