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Hamilton critica “vozes mais velhas” com “discursos discriminatórios e micro-agressões” e até Verstappen deixou reparos ao sogro Piquet

Numa semana em que as palavras de Nelson Piquet, Jackie Stewart e Bernie Ecclestone fizeram eco no paddock da Fórmula 1, o heptacampeão mundial lembrou que certos discursos ofensivos não deveriam ter acesso a plataforma. Verstappen também não foi meigo para Piquet, depois deste se referir ao rival com um termo discriminatório

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ANP/Getty

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Depois de Nelson Piquet se ter referido a Lewis Hamilton com termos racistas e Bernie Ecclestone, bilionário e antigo dono da Fórmula 1, ter defendido o ex-piloto brasileiro e elogiado Vladimir Putin e a invasão da Ucrânia, o heptacampeão do mundo disse considerar que “vozes mais velhas” não deveriam ter acesso a uma plataforma para fazerem comentários ofensivos.

O piloto da Mercedes disse: “A discriminação não é algo a que devamos dar uma plataforma. Precisamos que pessoas aproximem pessoas. Somos todos iguais e os comentários que vemos não estão a ajudar”.

Depois da controvérsia nas expressões usadas por Piquet, prontamente condenadas pela Fórmula 1, pela Mercedes e por vários colegas de Hamilton, o inglês teve ainda de ouvir Bernie Ecclestone desvalorizar a questão. Max Verstappen, adversário do piloto da Mercedes, rival direto na luta pelo título de 2021, que conquistou, é também namorado da filha de Nelson Piquet. O neerlandês demorou a reagir, mas fê-lo de forma contundente.

“Penso que o vocabulário usado, mesmo com os diferentes tipos de culturas, (…) não foi o correto. (…) Que seja uma lição para o futuro (…) porque é muito ofensivo. Passei algum tempo com o Nelson, provavelmente mais do que a maioria das pessoas e ele definitivamente não é racista. (…) Mas penso que é melhor, ainda assim, não usar [aquela palavra, ‘neguinho’]”, disse o campeão em título da Fórmula 1.

Max Verstappen fez ainda questão de acrescentar: “Não é apenas aquela palavra. (…) É o uso de linguagem ofensiva com qualquer pessoa de qualquer cor, não é correto. E é nisso que temos de trabalhar, não apenas na F1, com o Lewis, mas com todos pelo mundo fora”.

O piloto neerlandês confessou não ter falado com Piquet sobre o incidente nem ter tido oportunidade de discutir a questão com Hamilton, mas diz-se totalmente solidário com quaisquer iniciativas para tentar erradicar o racismo.

Sobre as declarações de Bernie Ecclestone defendendo Vladimir Putin, Lewis Hamilton afirmou: “Já sabes com o que contar. Não sei qual é o objetivo. Ouvir alguém que acredita na guerra, na deslocação de milhões de pessoas e no homicídio de milhares, que apoia a pessoa que está por trás disso… Eu nem acredito no que ouvi hoje”.

“Isto vai atrasar-nos décadas, mas ainda temos de ver o pior, não precisamos de apoiar isso. Há muitas pessoas que querem ser positivas. Se elas não quiserem sê-lo, não lhes deem espaço”, acrescentou o piloto da Mercedes.

Hamilton estava também a responder a uma controvérsia menor, levantada por Jackie Stewart, tricampeão do mundo de Fórmula 1. O escocês argumentou que Lewis deveria retirar-se da F1. O piloto que está a preparar a corrida de casa, em Silverstone, respondeu: “Nestas últimas duas semanas penso que não há um dia em que alguma destas pessoas não diga coisas negativas ou tente pôr-me para baixo. Mas eu continuo aqui”.

“Eles [Piquet, Ecclestone, Stewart] claramente não estão com vontade de mudar e estes discursos discriminatórios e micro-agressões não ajudam, no mundo atual, criam mais divisões. Adoro quando a Michelle Obama diz: ‘Quando eles vão para baixo, eu vou para cima’. É isso que eu tento fazer”, disse Lewis Hamilton.