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Bernie Ecclestone e nova polémica: antigo dono da F1 diz que “levaria uma bala por Putin” e que mortes na Ucrânia “não foram intencionais”

O ex-chefe supremo da Fórmula 1, conhecido pelas constantes controvérsias, diz que o presidente da Rússia é uma “pessoa de primeira classe” e defendeu ainda Nelson Piquet, criticado por se referir a Lewis Hamilton com um termo racista: “Não é o tipo de coisas que o Nelson diria com más intenções”. A Fórmula 1 já reagiu, afastando-se das declarações de Ecclestone

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Clive Mason/Getty

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Mais uma entrevista, mais uma polémica com Bernie Ecclestone. O antigo dono da Fórmula 1 considera que as mortes de milhares pessoas na Ucrânia “não foram intencionais”, desculpando as ações da Rússia. No programa “Good Morning Britain”, da ITV, Ecclestone chegou a dizer que “levaria uma bala por Putin”, uma “pessoa de primeira classe”, que acreditava “estar a fazer a coisa certa” quando invadiu a Ucrânia.

A lista de declarações bizarras do inglês encheria as páginas de um livro pouco consensual. Para Bernie, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que, antes de ser político, foi ator de comédia, “quer continuar a sê-lo”.

“Penso que, se ele [Zelensky] tivesse pensado nas coisas, teria seguramente feito um esforço maior para falar com o Sr. Putin, que é uma pessoa sensata e tê-lo-ia ouvido e provavelmente feito algo sobre isso”, disse Ecclestone.

Ecclestone estava no programa das manhãs da televisão inglesa para falar sobre o vídeo em que Nelson Piquet, tricampeão mundial de Fórmula 1, pode ser visto e ouvido a falar de Lewis Hamilton de forma imprópria, utilizando vocabulário racista. Bernie, também amigo do brasileiro, defendeu-o: “Não é o tipo de coisas que o Nelson diria com más intenções. (…) Ele provavelmente pensa em muitas coisas e o que diz pode chatear-nos (…). Para ele, não é nada. Faz parte da conversa”.

“Penso que o que aconteceu, conhecendo o Nelson como eu o conheço, uma vez que a filha é namorada de Max Verstappen, depois de ter visto o acidente, provavelmente explodiu”, opinou Bernie Ecclestone, cujo longo historial de explicações pouco consensuais mereceria uma análise aprofundada.

A Fórmula 1 já reagiu à entrevista de Ecclestone, sublinhando que os comentários sobre a invasão russa à Ucrânia são a sua "visão pessoal" e que estão "em completo contraste com a posição dos valores modernos" da modalidade.

Regressando a Putin, Ecclestone nunca acreditou que o presidente russo estivesse por trás do ataque com o veneno novichok, em Salisbury, Inglaterra, em 2018, do qual resultou o envenenamento de Sergei Skripal, alegado agente a trabalhar com os serviços secretos britânicos, e Yulia, sua filha. “Ele não fez isso. Estaria demasiado ocupado para se preocupar com esse tipo de coisas. Isso é obra dos contadores de histórias”, disse Bernie, na altura.

Em 2014, o ex-patrão da Fórmula 1 disse que Putin deveria governar a Europa e que a invasão da Crimeia foi apenas uma forma de “reunir a Rússia”. “Não apoio a democracia. É preciso um ditador. Como ditador, dizes: ‘É isto que eu vou fazer’”, afirmou o bilionário, que chegou a ter de pedir desculpa por elogiar Adolf Hitler, dizendo que o nazi era alguém “que conseguia fazer com que as coisas acontecessem”. Ao mesmo tempo, Ecclestone culpou os judeus por não conseguirem resolver a crise dos bancos.

Numa rara assunção do erro, Bernie disse: “As coisas foram mal interpretadas. (…) Aqueles que não me conhecem acham que eu apoio as atrocidades de Hitler; os que me conhecem disseram-me que fui insensato ao não saber articular as minhas visões, fazendo com que fosse tão incompreendido”. No entanto, o inglês acabaria por acrescentar: “Durante os anos 30, a Alemanha enfrentou uma crise financeira, mas Hitler conseguiu reerguer a economia, construindo as autoestradas e a indústria alemã. Era isso que eu queria dizer”.

Noutra entrevista, ao jornal “Times”, Bernie Ecclestone afirmou: “O problema com os políticos e a democracia é terem o tempo que têm para usar e não conseguirem fazer o que querem porque há alguém na oposição”. No mesmo artigo, Ecclestone falou do amigo Max Mosley, antigo presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), que se suicidou em maio passado. Max era filho do fascista inglês Oswald Mosley. Bernie sugeriu que o companheiro faria “um trabalho soberbo” como primeiro-ministro.