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Piquet pede perdão a Hamilton por palavra racista, mas diz que termo é “ampla e historicamente usado coloquialmente no português do Brasil”

Mesmo assumindo que o que disse num podcast em 2021 foi "impróprio", pedindo por isso perdão a Hamilton, Piquet diz que as suas palavras foram distorcidas e mal traduzidas por certa comunicação social e que o termo utilizado é comum no Brasil. De acordo com o "Guardian", a Fórmula 1 preparava-se para proibir a presença do tricampeão no paddock

Lídia Paralta Gomes

Paul-Henri Cahier/Getty

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O vídeo é de novembro de 2021, mas só esta semana se tornou um caso. Nele, Nelson Piquet, antigo tricampeão mundial de Fórmula 1, comenta o incidente entre Max Verstappen, que namora com a sua filha, Kelly, e Lewis Hamilton no GP Grã-Bretanha de 2021, quando o neerlandês da Red Bull acabou a prova com o carro destruído nas barreiras, após um duelo em pista com o homem da Mercedes.

Enquanto critica a postura de Hamilton no momento, Piquet trata o britânico várias vezes pelo termo "neguinho". A Fórmula 1 e a FIA defenderam o piloto, várias equipas e colegas na grelha também. E o heptacampeão mundial falou de "mentalidades arcaicas" que "precisam de mudar" e "não têm lugar" na disciplina. Pediu também "ação", até porque no capítulo do racismo "já houve muito tempo para aprender", escreveu Hamilton nas redes sociais. De acordo com o "Guardian", a F1 terá levado a sério as palavras do piloto e estava disposta a proibir a entrada do brasileiro, uma das antigas estrelas da modalidade, nas corridas, até este se retratar.

E o pedido de desculpas chegou, ainda que com asteriscos. Mesmo assumindo que o que disse foi "impróprio", pedindo por isso perdão a Hamilton, Piquet diz que as suas palavras foram distorcidas e mal traduzidas por certa comunicação social.

"O que disse foi impróprio e não me vou defender disso, mas quero clarificar que o termo é ampla e historicamente usado de forma coloquial no português do Brasil como um sinónimo de ‘tipo’ ou ‘pessoa’ e nunca foi intenção ofender", diz o antigo piloto com 208 corridas e 23 vitórias no currículo, sublinhando que "nunca utilizaria a palavra" da qual está a ser "acusado em algumas traduções".

"Condeno fortemente qualquer sugestão de que a palavra foi por mim utilizada com o objetivo de diminuir um piloto por causa da sua cor da pele", escreveu ainda.

“Peço perdão, do fundo do coração, a quem foi afetado, incluindo o Lewis, que é um piloto incrível, mas a tradução de alguma imprensa que está a circular não é a correta. A discriminação não tem lugar na Fórmula 1 e na sociedade e queria clarificar o que penso a esse respeito", pode ler-se também na declaração que seguiu para a imprensa, que surge 24 horas depois do vídeo do podcast se tornar viral.

O passado de Nelson Piquet o condenará de alguma forma. A condução destemida, espectacular e tantas vezes no limite do brasileiro era acompanhada por declarações polémicas. A sua passagem pela Williams ficou marcada pelos desentendimentos com o britânico Nigel Mansell, que chegou a tratar por "idiota sem educação", e pelas palavras pouco gentis sobre a mulher do britânico. De Ayrton Senna nunca foi amigo e chegou a fazer insinuações gratuitas sobre a sua orientação sexual. Mais recentemente, foi um dos apoiantes de alto perfil de Jair Bolsonaro, presidente do Brasil.