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Rio Ave e Casa Pia: o elevador da subida tem velhos conhecidos

O analista e comentador Tomás da Cunha traça o perfil das duas equipas que já garantiram a subida à I Liga, dois clubes que, por mérito colectivo e armas individuais, assinaram justamente a entrada no elevador da subida

Tomás da Cunha

RUI MANUEL FARINHA/LUSA

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Luís Freire e Filipe Martins são nomes relevantes na nova geração de treinadores nacionais. O sabor da promoção já não é novo para os dois, que até têm em comum o facto de terem levado Mafra e Real, respectivamente, ao título no Campeonato de Portugal. Subir de divisão envolve muitos factores, mas a competência técnica é certamente um deles. E ambos mostraram esse atributo na forma como lideraram Rio Ave e Casa Pia no caminho para o sucesso. Para uns, o regresso mais do que antecipado. Para outros, um feito histórico.

Não será polémica a afirmação de que os rioavistas tinham o melhor plantel do campeonato. No entanto, o treinador que assumisse o comando da equipa nesta temporada saberia que só podia subir ou subir. Não havia margem de erro, o que torna a gestão de expectativas – para dentro e para fora – altamente complicada. Luís Freire, com apenas 36 anos, continua a juntar feitos a um currículo invejável, recolocando o emblema de Vila do Conde no patamar onde se habituou a estar. Foi curta a passagem pela segunda divisão.

Ao contrário do que aconteceu na época passada, quando o Estoril de Bruno Pinheiro se destacou claramente da concorrência, nesta temporada não houve facilidades para ninguém. Tanto o Rio Ave como o Casa Pia construíram uma identidade bastante reconhecível, com jogadores adaptados às funções, mas o talento individual superior também ajudou a ultrapassar momentos difíceis. Olhando para todo o campeonato, foram as equipas mais regulares – o Chaves, por exemplo, veio de trás para a frente.

O novo campeão da segunda liga deverá dar continuidade ao modelo de jogo que o fez regressar à primeira. Como já havia acontecido em etapas anteriores, Luís Freire procurou valorizar a construção e o Rio Ave cresceu nesse sentido, demonstrando variabilidade – elaborando desde trás ou procurando uma ligação directa com Yakubu Aziz, que já no Estoril desempenhava esse papel. A atacar, o conjunto de Vila do Conde desdobra-se numa espécie de 3-4-2-1, saindo maioritariamente pelo lado esquerdo. Pedro Amaral teve responsabilidade acrescida e destacou-se ofensivamente, acrescentando soluções no passe e na bola parada. Ligando com Guga no espaço entre linhas ou utilizando a largura que Gabrielzinho oferece, a dinâmica neste sector foi um dos pontos fortes colectivos.

Criando associações pela esquerda e atraindo o adversário para essa zona, o Rio Ave libertava o lado oposto para as chegadas de Costinha em profundidade (importante o posicionamento de Joca mais por dentro). Ainda jovem, o ala direito mostrou atributos para produzir no último terço, recebendo no pé ou servido no espaço. Há curiosidade para segui-lo na próxima temporada. Pedro Mendes, que contribuiu com golos importantes, atacava a zona do segundo poste para responder a cruzamentos. Não tão ligado à criação, mais focado nos movimentos de ruptura e na finalização.

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