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Neste clube não há futebol sem sustentabilidade. E o Forest Green Rovers, a primeira equipa vegan do mundo, ganha nos dois campeonatos

São o clube mais verde do planeta, diz a FIFA, e no campo desportivo o sucesso também está a chegar: foram campeões da League Two e subiram à terceira divisão inglesa. A partir daqui, o objetivo passa não só por continuar nesta onda de bons resultados, mas também por conseguir levar a mensagem que está no centro daquilo que é o Forest Green Rovers para um novo campeonato

Rita Meireles

Matthew Lewis

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Um dono de um clube de futebol e um ambientalista. Não, não se tratam de duas pessoas com interesses distintos, é apenas Dale Vince, empresário da “indústria verde” que juntou duas das suas paixões quando comprou o clube de futebol Forest Green Rovers em 2010. Um projeto que se tem revelado tão bom para o desporto quanto para o meio ambiente.

No sábado passado, frente ao Mansfield Town, um empate por 2-2 garantiu aos Rovers o título na League Two inglesa, o equivalente a uma quarta divisão, depois de já ter assegurado a subida de divisão à sempre competitiva League One. "Ainda é um pouco surreal. Sei que já lá estamos há muito, muito tempo, mas talvez ainda não tenha acreditado bem que isso iria acontecer. Mas terminámos no topo e é incrível", afirmou Rob Edwards, treinador da equipa e ex-jogador do Aston Villa, à BBC Sport.

Porque é que esta é uma vitória importante não só para os jogadores e adeptos do Forest Green Rovers? Porque com a subida de divisão, a mensagem do clube chega também a um novo campeonato. A equipa de Gloucestershire, no Reino Unido, chamou para si, em 2015, o título de "primeiro clube vegan do mundo" e todos os envolvidos fazem uma alimentação vegan, ou seja, sem qualquer produto de origem animal. Mas essa é apenas a ponta do longo plano em prol do ambiente.

Além do menu dos jogadores, também toda a comida vendida no estádio, com capacidade para cerca de 5 mil espectadores, mantém o mesmo registo. São substituídas as bifanas e cachorros quentes por falafel, tofu ou hambúrgueres sem carne. A nível climático, os Rovers são um projeto completamente neutro a nível da sua pegada de carbono e as Nações Unidas já o reconheceram em 2018. A relva é sustentável e livre de pesticidas, há painéis solares instalados nas bancadas, o relvado é regado com água da chuva que vai sendo recolhida, o autocarro da equipa e os carros dos jogadores são elétricos e o estádio e campos de treino são inteiramente abastecidos com energia renovável.

Descritos pela FIFA como “o clube de futebol mais verde do mundo”, os Rovers têm a sustentabilidade como objetivo central de tudo aquilo que fazem. Fundado em 1899, a presença no futebol amador foi prolongada durante muitos anos, mas quando Vince assumiu o clube, deu a volta ao projeto a nível desportivo e ambiental.

Com a chegada à terceira divisão inglesa, os Rovers vão agora defrontar clubes como o Derby County, que tem Wayne Rooney como treinador, AFC Sunderland ou Ipswich Town, históricos do futebol inglês, com passagem pela Premier League, onde o clube encontrou um investidor: o espanhol Héctor Bellerín, na altura jogador do Arsenal (agora emprestado ao Betis), tornou-se o segundo maior acionista do clube em 2020, sendo que a maioria é detida pela empresa Ecotricity, de Vince.

"Ao saber mais sobre o clube e o seu trabalho, soube que os queria conhecer e fazer parte dele. Muitas pessoas sentem que não há solução para os problemas do mundo, mas o Forest Green já está a fazer muito e a mostrar aos outros o caminho. Haverá sempre alguns adeptos que pensam que o ambiente e o futebol não andam juntos, e deveríamos simplesmente deixar o futebol estar. Mas isso não é correto, eles estão juntos”, afirmou o jogador, também ele vegan, ao “The Guardian” na altura da compra.

E é pelo futebol e pelo ambiente que o clube já está a fazer planos para lá da vitória do passado sábado. O próximo passo é a construção de um novo estádio. O “Eco Park” será o único estádio no mundo construído totalmente em madeira.