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Patrão da W52-FC Porto defende-se em carta aberta: “Fiz o que qualquer ser humano com princípios faria: defender os meus atletas”

Adriano Quintanilha, líder da Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo, descreveu o procedimento após os testes de doping aos ciclistas da sua equipa e depois de ter visto o contrato com o FC Porto suspenso. Oito ciclistas e dois mecânicos foram sancionados por suspeitas de prática de doping

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NUNO VEIGA/LUSA

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O chefe da equipa W52-FC Porto, agora suspensa, líder da Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo, escreveu uma carta aberta em que descreve detalhadamente o seu procedimento após os testes feitos aos atletas da equipa, bem como depois de o FC Porto ter suspendido o seu acordo com a W52. Adriano Quintanilha fala de “equívocos e perplexidades” que levaram à suspensão provisória da equipa pelo órgão máximo da modalidade, a UCI, depois de oito ciclistas e dois mecânicos terem sido suspensos preventivamente pela ADoP, a Autoridade Antidopagem de Portugal.

Quintanilha começa por lembrar: “Entrei no mundo do ciclismo em 1989, do qual me retirei em 2001. Regressei em 2014, tendo em 2016 celebrado o atual Contrato de naming e licenciamento de marca com o FC Porto, inicialmente através da Vintage Podium e, posteriormente e até à presente data, através da Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo. Não sou e nunca fui um profissional do ciclismo”.

Por ser um empresário dedicado ao fabrico de vestuário, Quintanilha explica que delegou “funções em profissionais com o objetivo de ter uma equipa vencedora, dotada das melhores condições possíveis, (…) contratando aqueles que [lhe] pareciam ser os melhores (…), sempre cuidando que agissem em estrito cumprimento de todas as regras desportivas, designadamente do fair play e do não uso de substâncias dopantes”.

O empresário alega, portanto, ter ficado estupefacto quando, no passado mês de abril, se viu confrontado, em sua própria casa, por atletas e staff, para lhe darem “conta da existência do processo judicial em curso de inquérito”. Quintanilha refere “o estado de desespero de alguns atletas”, que o levou a procurar constituir-se assistente no processo, o que lhe “veio a ser negado”. “Fiz o que qualquer ser humano com o mínimo de princípios faria: defender os meus atletas, o que continuarei a fazer até prova em contrário”, explica Adriano Quintanilha.

“Claro está que todo aquele que tiver comprovadamente prevaricado, deve um pedido de desculpas formal e público, quer a mim próprio quer ao clube e aos seus patrocinadores. Quem me conhece minimamente sabe que pugno pelos valores da verdade, honestidade e respeito pela palavra”, afirma o líder da W52.

A terminar, Quintanilha fala da “verdade que o ciclismo português exige e merece” e promete não desistir “tão depressa deste propósito, estando já a preparar o futuro” conjuntamente com os principais parceiros.