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Benfica e o darwinismo no ataque

Darwin matou em frente à baliza, Yaremchuk construiu e marcou, Rafa idem. Gonçalo Ramos e Seferovic saltaram do banco para aumentar. Fim de tarde em grande dos avançados do Benfica, que fecha o ano na Luz com uma goleada por 7-1 frente a um Marítimo que tentou manter a sua ideia. E isso foi absolutamente fatal

Lídia Paralta Gomes

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É preciso acreditar no darwinismo. E não falamos só naquele rapaz que estão a pensar. É certo que Darwin Nuñez, este Darwin Nuñez, é uma versão melhorada do Darwin Nuñez de há um ano. Talvez até do Darwin do início da temporada. Ele continua a não ser perfeito a definir, falta-lhe ainda a finesse do primeiro toque, da receção, mas não se pode olhar de lado para os 18 golos marcados esta temporada - Darwin tem sido, nestas semanas, uma evolução dele próprio.

Como é uma evolução um ataque do Benfica em que o talento em bruto do uruguaio coincidem com a inteligência de Yaremchuk e Rafa. Este domingo, o trio de ataque o Benfica estilhaçou um Marítimo de Vasco Seabra que chegou à Luz agarrado à sua ideia de jogo, a querer atacar e pressionar, mas também a cometer demasiados erros, a deixar demasiados espaços no corredor central, que os jogadores do Benfica aproveitaram como quiseram, com eficácia e momentos de qualidade não só em transição como em ataque apoiado, algo que nem sempre temos visto nos encarnados este ano.

E para isso é essencial ter Yaremchuk. O ucraniano até pode não marcar tanto quanto Darwin, mas a forma como se movimenta, como oferece espaços e linhas de passe é decisiva. Foi ele que serviu de pivô para Gilberto ter espaço para oferecer o primeiro a Darwin, logo aos 3'; é ele que arrasta a defesa no 3-0 marcado por Gilberto; é ele que desmarca Rafa para o 4-0 e é ele que marca, finalmente, o 5-0 encarnado. Quanto a Rafa, além do golo, aos 46', num chapéu cheio de classe, ainda galgou o terreno, com todo o espaço, para oferecer o golo a Gilberto no 3-0, fez o passe final para Yaremchuk também colocar o nome nos marcadores, após uma abertura excelente de Darwin na esquerda e ainda deu o 7-1 a Seferovic já nos últimos momentos de jogo.

ANTONIO COTRIM/LUSA

O resto foram erros. Muitos erros do Marítimo. É de uma bola perdida na saída a jogar que nasce o 2-0, logo aos 19', com João Mário aproveitar o completo desequilíbrio dos madeirenses para encontrar Darwin sozinho. É no espaço dado na lateral que Seferovic encontra Gonçalo Ramos para o 6-1. E tantos outros que acabaram por não dar em golo do Benfica, mas apenas por manifesto desacerto - os encarnados terão mesmo falhado um resultado histórico este domingo.

A estratégia em si foi corajosa, porque Vasco Seabra é um treinador que valoriza o jogo, mas não se pode ir à Luz jogar à queima, a falhar os momentos de pressão alta, deixando todo o espaço ao ataque do Benfica, às transições ofensivas que são um dos pontos fortes da equipa de Jorge Jesus, ausente do banco por castigo.

E sendo também pouco incisivo no ataque - marcou já nos últimos 10 minutos, por Alipour, quando Benfica teve um momento de desligamento -, o Marítimo foi desde cedo uma presa fácil para os encarnados, que ao intervalo já venciam por 3-0, que na 2.ª parte aumentaram a vantagem e não tanto quanto as oportunidades que tiveram. Um vendaval de ataque encarnado, também muito consentido, para encarar o clássico de quinta-feira com o FC Porto com outra confiança.