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Rui Cardoso

Rui Cardoso

Jornalista

Festa do TT regressa a Fronteira

A partida para as BP Ultimate 24 Horas TT Vila de Fronteira será sábado às 14.00 mas há dois dias que a vila alentejana é animada pela chegada de pilotos e máquinas

Rui Cardoso

Vista aérea da largada das 24 H de Fronteira

ACP Motorsport

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São Pedro é amigo do todo-o-terreno. Outra coisa não se pode concluir das condições meteorológicas vigentes na vila alentejana de Fronteira: durante toda a semana choveu a potes mas no dia dos treinos (esta sexta-feira) despontou um sol radioso. Ou seja não há pó, o terreno amoleceu mas a visibilidade é perfeita.

Durante quatro dias por ano (sempre no final de novembro) a vila alentejana de Fronteira torna-se na capital portuguesa do todo-o-terreno, acolhendo três centenas de pilotos (entre automóveis e buggies/SSV), respectivas equipas de assistência e muito público. O que significa que a população do concelho passa dos habituais 2000 habitantes para cinco ou seis vezes mais.

As BP Ultimate 24 Horas TT Vila de Fronteira organizadas pelo ACP Motorsport são um cartaz desportivo internacional, expresso na presença de equipas estrangeiras, vindas de França (uma especialidade muito popular no país) mas também da Bélgica, Itália, Lituânia, etc. Ou seja os estrangeiros representam este ano um terço dos inscritos.

A ascensão dos SSV

E por falar em inscritos a crise económica teve, como não podia deixar de ser, efeitos na participação, rarefazendo um pouco a grelha de partida (sábado, às 14h): onde chegaram a alinhar mais de 90 viaturas haverá 65 o que só pode ser lido como um óbvio e inevitável sinal dos tempos. Basta pensar que onde se gastavam € 500 de gasóleo agora se gasta o dobro e o resto dos custos também não se reduziram.

Outro sinal dos tempos é o peso crescente dos buggies e SSV que têm feitos brilharetes cada vez mais consistentes no Dakar. Alem dos 47 inscritos para a prova de quatro horas (entre as oito da manhã e o meio-dia de sábado, antecedendo a corrida principal) há nove deste “aranhiços” inscritos para as 24 Horas. E, tal como esteve para acontecer em Portalegre este ano, virá o dia em que uma destas máquinas ganhará a prova.

Contudo para já as apostas vão para a equipa luso-francesa de Mário Andrade que ganhou as três últimas edições mas numa corrida tão longa e dura como esta, até uma viatura mais próxima de um jipe tradicional pode ter uma palavra a dizer. Nesta corrida de resistência, ainda que o espírito já não seja exactamente o dos velhos tempos do TT, ainda há um razoável pelotão de gloriosos malucos das máquinas rolantes, correndo em veículos tão improváveis como uma Peugeot 504, um Renault 4 L ou um Citroën AX. A que juntam Nissan Terrano, Suzuki Jimny ou Toyota Land Cruiser que já conheceram melhores dias.

De tractores e camiões

Para estas 80 a 100 voltas a um “terródromo” com 16,4 km de perímetro este vosso escriba por aqui andará uma vez mais (como desde a 1ª edição da prova em 1998) e vos contará as emoções da corrida na primeira pessoa. Corremos num Nissan Patrol GR (nº 24) que, comparado com as máquinas mais modernas e velozes, disputa a categoria de tractores agrícolas, só lhe faltando a charrua lá atrás.

Devo confessar que estivemos a dois dedos de não participar, não porque o jipe não estivesse pronto (uma vez na vida até estava impecável dois dias antes) mas porque o camião de assistência falhou por avaria à última hora e nos deixou pendurados na quarta-feira à tarde, na véspera das verificações técnicas da corrida. Recordo que para uma prova destas é preciso montar uma pequena oficina e as bancadas, máquinas de soldar, compressores, jogos de pneus e tudo o resto não cabem propriamente na mala de um Fiat 600… Valeu-nos na circunstância a boa vontade da Astara (importadora da Mitsubishi, Kia, etc) que nos fez aparecer do nada uma reluzente Mitsubishi Canter de três toneladas e meia. O meu sentido agradecimento ao Miguel Santos e ao Tiago Nogueira a quem dedico os eventuais sucessos desportivos nesta prova.

E foi às sete da manhã de quinta-feira que me vi ao volante de um mastodonte de seis por três metros, a caminho de Reguengos (para carregar o material) e depois de Fronteira. Enquanto fazia corridas com os tractores e camiões TIR pensava para os meus botões: quem guia uma coisa destas, guia tudo. De passagem e depois desta experiência à chuva e no meio do trânsito da N4 em Pegões ou Vendas Novas, tiro o meu chapéu a quem tem de ganhar a vida conduzindo veículos destes ou ainda maiores.

Nas próximas crónicas vos falarei dos treinos, do estado da pista depois das chuvas e das emoções da largada.