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O momento é de celebração, mas Iga Swiatek, vencedora do US Open, não esquece a Ucrânia: “A guerra está basicamente ao lado do meu país”

A guerra na Ucrânia ainda é uma realidade e Iga Swiatek fez questão de o lembrar sempre que teve oportunidade antes, durante e após o US Open, que venceu. A tenista polaca, número 1 mundial, nunca imaginou que uma guerra pudesse acontecer no país ao lado do seu e usa toda a sua influência para sensibilizar para o problema

Rita Meireles

Matthew Stockman/Getty

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Aos 21 anos, naquele que foi um dos maiores feitos da sua carreira até hoje, Iga Swiatek venceu o US Open, ao derrotar a número cinco do ranking mundial Ons Jabeur por 6-2 e 7-6 (7-5). Numa altura em que os dias são de comemoração, a estrela polaca fez questão de direcionar as atenções para a guerra na Ucrânia, algo que está a acontecer muito perto do seu país.

Durante uma aparição no programa Today Show, do canal norte-americano NBC, a tenista número 1 mundial refletiu sobre o porquê de ter colocado tanto ênfase na sensibilização para o tema.

"Sou polaca, estamos realmente a ajudar no nosso país. Apesar de passar muito mais tempo em tour do que em casa, sei que temos de permanecer unidos, e quero lembrar as pessoas de que a guerra ainda está a acontecer. É realmente importante para mim apoiar os ucranianos porque a guerra está basicamente ao lado do meu país. Tenho 21 anos, vivi sempre num lugar onde não sabia que a guerra era possível tão perto de mim”, afirmou.

No momento em que saíram as primeiras notícias que confirmavam a invasão russa na Ucrânia, em fevereiro deste ano, Swiatek sentiu-se “muito emocionada”. Logo em seguida, teve a certeza de que queria usar a sua posição para ter “uma influência positiva”.

A tenista usa regularmente uma fita com as cores da bandeira ucraniana durante os jogos e envia sempre uma mensagem ao povo do país durante os seus discursos. Swiatek também participou e organizou eventos de solidariedade em benefício do país vizinho.

Em julho, organizou o evento "Iga Swiatek e Amigos pela Ucrânia", em Varsóvia, para angariar dinheiro para os jovens ucranianos afetados pelo conflito. No final, conseguiu angariar mais de 500 mil euros para a United 24, a Fundação Elina Svitolina, e a UNICEF Polónia.

Antes do US Open, a tenista participou também no evento "Tennis Plays for Peace", com nomes como Rafael Nadal, Coco Gauff, Carlos Alcaraz, Stefanos Tsitsipas, Taylor Fritz, Frances Tiafoe, entre outros. O grupo conseguiu juntar 1.2 milhões de euros para o Fundo de Ajuda à Crise da Ucrânia da GlobalGiving.

"Temos de nos manter unidos", disse durante a entrevista no court, após levantar pela primeira vez a troféu de vencedora do US Open. "Estou muito feliz por poder unir as pessoas com o nosso desporto. Estamos a tentar fazer o nosso melhor para sermos boas pessoas e sermos bons exemplos".