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O som de uma campainha somado ao melhor amigo do homem é a conta criativa para se chegar ao novo reforço do Sporting

Francisco Trincão jogará esta época no Sporting por empréstimo do Barcelona e assim reencontrará Rúben Amorim, com quem coincidiu em todos os 13 jogos que o treinador fez no SC Braga, há três temporadas. O clube de Alvalade pagou €3 milhões aos catalães e terá de desembolsar outros €7 milhões para ficar com o extremo em definitivo caso "certas condições contratuais" se concretizem

Diogo Pombo

Jack Thomas - WWFC

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O Sporting está a tentar puxar pela corda da criatividade, desta feita pela justaposição. Ao apresentar a soma da onomatopeia extraída de uma imagem - uma daquelas pequenas campainhas no balcão da receção de um hotel, das quais se escuta um “trin” quando premidas - à palavra de três letras que identifica o preferido dos animais domésticos e dito amigalhaço dos humanos, o clube deixou, no Twitter onde por estes dias as novidades das idas às compras se anunciam primeiro, uma sugestão que não requeria genialidade para ser decifrada.

Um “trin” acrescentado a um “cão” resulta no apelido do extremo que o Sporting, ao fim de tantos badalados rumores, por fim garantiu: Francisco nasceu em Viana do Castelo, fez-se jogador em Braga, lá engatilhou a sua vida de fintas, corridas da direita para o centro e remates em arco à baliza, ganhou pelo meio um Europeu sub-19 e partiu tão cedo quanto despontou no Minho. Em 2020 e com duas décadas de vida, o extremo foi comprado pelo Barcelona.

Mas, antes, na única época completa que fez no SC Braga, coincidiu durante dois meses com um tipo em igual início de carreira, outrora jogador e então a começar como treinador. Era Rúben Amorim e Francisco Trincão coincidiu com ele em 13 partidas, portanto em todas as que o clube fez com o técnico até o Sporting pagar a sua cláusula de rescisão e engatilhar um processo que devolveu a estabilidade a Alvalade. Nesses 13 jogos e nas dezenas de treinos ter-se-á formado uma boa impressão mútua, face a mais um negócio protagonizado pelo extremo português.

Após um ano de empréstimo ao Wolverhampton, onde augurou muito de bom nos primórdios de 2021/22 para fechar a temporada sem destaque de maior no clube que acabou em 10.º na Premier League, Trincão vai reencontrar Rúben Amorim porque o Sporting pagou €3 milhões ao Barcelona para a sua cedência até ao final da época que agora começa - aos quais poderá acrescer o pagamento “obrigatório” de €7 milhões para o clube contratar o jogador em definitivo “no caso de concretização de certas condições contratuais previstas”, lê-se no comunicado enviado à Comissão de Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM).

Ou seja, se Francisco Trincão cumprir certos registos de desempenho que o Sporting não especificou quais são (normalmente, referem-se ao número de jogos nos quais participe em determinadas competições, por exemplo), o Sporting ficará com 50% dos direitos desportivos do internacional português. E aí o Barça acautelou-se com o que os clubes espanhóis têm o hábito de se precaverem: uma cláusula para poder recomperar o jogador, que andará algures entre os €20 e os €25 milhões, consoante “o momento em que seja executada”.

Por enquanto, ganha o Sporting um habilidoso futebolista que vive a criar imbróglios aos adversários com a bola no pé, entre corridas com ela em velocidade e dribles vários. O melhor do canhoto Francisco Trincão surgiu com o português a partir da direita do último terço do campo, como extremo, embalado de fora para dentro. A manter o esquema de 3-4-3 a que Rúben Amorim foi um fiel devoto nas últimas duas épocas, o internacional português encaixaria como a peça à direita dos três jogadores da frente.

Para aí havia, no ano passado, o já ido Pablo Sarabia e para este ano haverá Marcus Edwards e agora Francisco Trincão, dois canhotos cujas características que florescem quando jogam no lugar-comum que é chamar-se “pé trocado” a um extremo. Além dos canhotos, também há a novidade de Rochinha, outro futebolista que joga perto das linhas laterais - mais de fintas paradas, com ele a chamar os adversários a si para os tirar da frente, do que de correrias com a bola -, vindo de Guimarães e contratado ao Vitória para ser outro incremento de criatividade individual nos leões.

E foi outro reforço em que o Sporting também tentou puxar do engenho para desvendar jogadores: partilhou a fotografia de uma pedra a repousar no relvado do Estádio de Alvalade antes de o confirmar como reforço.